A floresta respirava diferente naquela noite.
Não era o silêncio tranquilo que envolvia a alcateia quando todos dormiam, protegidos pelo território e pela presença do alfa. Era um silêncio mais denso, carregado de aviso, as árvores pareciam observar, os galhos rangiam com o vento como se cochichassem segredos que não deveriam ser ouvidos.
Uma loba clara cortava o mato em disparada.
O corpo forte se movia com precisão entre troncos e raízes, as patas quase não tocavam o chão enquanto ela se afastava cada vez mais do território marcado da Blackstone. O cheiro da alcateia ficava para trás, substituído por um ar mais frio, mais hostil, onde os limites não eram tão claros.
Sandra corria.
Corria como se estivesse fugindo… Ou como se estivesse indo exatamente para onde sempre quis ir.
O coração batia forte no peito lupino, não de medo, mas de excitação. Cada metro longe da alcateia era uma libertação, cada passo a aproximava daquilo que vinha planejando desde o momento em que viu Liana atra