Foi numa dessas manhãs, enquanto eu ajudava Sophia a plantar margaridas, que Mingau voltou com algo na boca.
— Olha, Mauren! O Mingau trouxe um presente! — gritou Sophia, correndo atrás dele.
O gato, com ar de missão cumprida, largou o objeto na grama e se lambeu, indiferente.
Era um pingente.
Pequeno, prateado, com uma flor gravada — margarida, exatamente igual às do canteiro.
Mas o que me fez o coração parar foi a inscrição na parte de trás, quase apagada pelo tempo:
“Para minha flor favorita. — I.”
— Tem como assinatura um I.
— É da mamãe! — Sophia sussurrou, pegando o pingente com as mãos trêmulas. — Acho que vi em uma foto ela usando isso no pescoço!
Meu sangue gelou.
— Onde o Mingau achou isso? — perguntei, olhando para o muro alto que cercava a propriedade.
— Lá! — ela apontou para o canto mais escondido do jardim, perto dos bambus, onde até a segurança evitava passar.
Corri até lá.
Nada parecia fora do lugar. Será que alguém tinha jogado o pingente por cima do muro ou será q