Aconteceu na terça-feira, enquanto eu estava brincando com a Sophia no quarto dela.
Ninguém esperava que elas viriam como furacão, com salto alto, perfume caro e olhos cheios de veneno.
Foi dona Cida quem me avisou, ofegante e quase sem voz, me chamando na porta do quarto:
— Mauren! Corre! A sogra do patrão e aquela megera da cunhada dele invadiram a casa! Tá um Deus-nos-acuda!
— Mas... e a segurança?
— Elas empurraram o Jorge, driblaram a Larissa! Disseram que “não precisam de autorização para entrar na casa da família delas”!
Corri como se o chão fosse pegar fogo.
— Elas estão na biblioteca. O Arthur está lá. Mas... — ela me olhou apreensiva — não deixe a Sophia ouvir.
— Fica aqui com ela que eu vou direto para lá.
Quando abri a porta da biblioteca, o som chegou como um soco no peito.
— ISSO É UM ABSURDO, ARTHUR! — gritava uma voz aguda, que eu reconheci na hora: Valentina.
— Dar poderes legais a uma empregada? Uma mulher que nem formação tem?
— Ela não é empregada — respondeu Arth