ARIEL MACEY
A água gelada lavava as minhas lágrimas, misturando o sal da minha dor com a sujeira da calçada, mas não conseguia lavar a sensação de vazio que se expandia no meu peito, ocupando todo o espaço.
A mala de rodinhas fazia um barulho irritante no asfalto molhado, o único som além da tempestade e da minha respiração entrecortada.
Estava frio. Um frio que penetrava o casaco encharcado, a pele, a carne e se alojava nos ossos. Mas eu continuava andando. Um passo. Depois outro. Afastando-me do homem que eu amava, da menina que roubou meu coração e da felicidade que eu ousei sonhar que poderia ser minha.
O celular no meu bolso vibrou.
Ignorei.
Vibrou de novo. E de novo. Uma insistência raivosa.
Parei sob a luz amarelada e fraca de um poste de rua. Com as mãos trêmulas e dormentes pelo frio, tirei o aparelho do bolso. A tela iluminada mostrava o número do homem que selou meu destino.
Henrico.
Deslizei o dedo na tela e levei o aparelho ao ouvido.
— Alô...
— SÃO FALSOS! — O