DANTE VELASQUEZ
A porta da frente bateu.
O som reverberou pela casa vazia, atravessou o corredor e entrou no escritório onde eu estava, cravando-se no meu peito como um prego final no caixão.
Ela se foi.
Alfredo apareceu na porta do escritório minutos depois. Ele não disse nada. Apenas me olhou com aqueles olhos velhos e tristes, fez um aceno de cabeça confirmando que ela tinha partido, e saiu, fechando a porta, deixando-me sozinho com os meus fantasmas.
Levantei-me da cadeira. O movimento foi brusco, derrubando uma pilha de papéis que não importavam mais.
Caminhei até o bar no canto da sala. Minhas mãos tremiam, não de medo, mas de uma fúria que precisava de vazão.
Peguei a primeira garrafa que vi. Um uísque de comemoração.
Que piada.
Não me dei ao trabalho de pegar um copo. Arranquei a rolha com os dentes e a cuspi no chão. Levei a garrafa à boca e bebi.
O líquido desceu queimando, um fogo líquido que cauterizou a garganta, mas não tocou o gelo que envolvia meu c