DANTE VELASQUEZ
Eu estava sentado na cadeira, com as mãos entrelaçadas sobre a mesa, os nós dos dedos brancos de tanta pressão. Meus olhos estavam fixos na porta, mas minha mente estava presa num looping torturante das últimas semanas.
O cheiro dela no travesseiro ao meu lado. A risada dela. A forma como ela segurou minha mão no funeral de Salvatore Vigneto, me dando forças para encarar meus demônios, enquanto ela mesma servia a eles.
Senti um gosto metálico na boca. Era o gosto da traição, amargo e corrosivo.
Eu não estava apenas com raiva. O que eu sentia era algo muito mais patético e devastador: eu estava magoado e com o coração partido.
Eu tinha deixado ela entrar. Depois de anos blindado, depois de trancar minha alma junto com o luto por Michelly, abri as portas para uma babá de cabelos ruivos e olhos mentirosos. Eu confiei a ela a minha filha. Eu confiei a ela a minha cama.
E ela me traiu.
A porta se abriu.
Alfredo entrou primeiro. Ele parou ao lado e fez um gesto. Arie