ARIEL MACEY
A clínica parecia diferente hoje. Menos opressora. Talvez porque eu não estava entrando lá para ver alguém, mas para levar alguém de volta à vida.
Minha avó estava sentada na poltrona do quarto, vestida com suas melhores roupas, era um conjunto de lã azul que ficava um pouco largo agora.
Quando me viu, o rosto dela se iluminou.
— Minha menina!
— Vovó! — Corri para abraçá-la.
— Vamos sair desse lugar? — ela perguntou, ansiosa.
— Vamos. O carro está esperando.
Assinei a papelada da alta e o trajeto até a nossa antiga casa foi silencioso, mas cheio de sorrisos. Minha avó olhava pela janela, comentando sobre como as árvores tinham mudado, como o bairro parecia o mesmo.
Quando o carro parou na frente da casa de varanda amarela, ela suspirou.
— Ah, Ariel... — Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Eu achei que nunca mais veria essa varanda. Achei que tínhamos perdido tudo.
— Nunca. Eu disse que daria um jeito. O emprego com os Velasquez tornou isso possíve