ARIEL MACEY
UM MÊS DEPOIS...
Se passaram quarenta e dois dias desde o velório de Salvatore Vigneto, foi esse o tempo que eu consegui viver dentro de uma bolha de perfeição que eu sabia ser frágil, mas que eu cuidava todos os dias com a devoção de uma fanática.
O salto dos meus sapatos batia contra o piso do corredor da Velasquez International com um ritmo que eu já tinha internalizado. Bom dia, Srta. Macey. Café, Srta. Macey? A pauta da reunião das dez, Srta. Macey.
Eu tinha me tornado eficiente. Assustadoramente eficiente.
Pela manhã, eu era o braço direito de Dante. Organizava a agenda dele, filtrava as ligações de Charlotte que se tornaram cada vez mais histéricas e, depois, silenciaram numa resignação amarga, e garantia que o trabalho dele continuasse se movendo sem atritos.
À tarde, eu trocava o blazer por jeans e virava a companheira de aventuras de Luna.
No último mês, a voz dela deixou de ser um evento raro para se tornar a trilha sonora da mansão. Não era uma to