DANTE VELASQUEZ
Segurei a mão de Ariel o tempo todo enquanto estávamos na ambulância, apertando os dedos frios, murmurando coisas sem sentido. Promessas de amor, pedidos de desculpas e ordens para ela acordar.
Chegamos à emergência do Seattle Grace.
— Familiar? — uma enfermeira perguntou, barrando minha entrada na sala de trauma.
— Noivo. — respondi automaticamente. — Eu sou o noivo dela.
Eles a levaram. As portas duplas se fecharam, deixando-me do lado de fora, com o cheiro de álcool e morte que eu conhecia tão bem.
Olhei para as minhas mãos. O sangue já estava seco, escuro, encrostado nas minhas digitais.
Caminhei até o banheiro mais próximo. Lavei as mãos com sabonete líquido, esfregando até a pele ficar vermelha, vendo a água tingida descer pelo ralo.
Michelly tinha morrido num hospital como esse. Depois do acidente de carro. Eu tinha esperado naquela mesma sala de espera. Tinha recebido a notícia de um médico com a expressão de lamento.
Não. Eu me recuso a aceit