DANTE VELASQUEZ
O salão de baile do Fairmont Olympic Hotel era um oceano de luxo e hipocrisia.
Centenas de pessoas se aglomeravam sob os lustres gigantescos, segurando taças de champanhe. O ar estava saturado com o cheiro de perfumes importados, arranjos de lírios brancos e a ambição desenfreada da elite de Seattle.
Eu odiava cada segundo daquilo.
Apertei a mão de mais um banqueiro cujo nome eu esqueci no instante em que ele disse, sorrindo aquele sorriso plástico que eu tinha aperfeiçoado ao longo dos anos.
— Dante! Excelente festa. E que momento para a família Velasquez, hein? — o homem disse, dando tapinhas nas minhas costas.
— Obrigado — respondi, monossilábico.
Meu pai me interceptou perto do bar de gelo. Lorenzo Velasquez estava radiante, com o rosto corado de uísque e triunfo.
— Você está indo bem, filho — ele disse, segurando meu braço com força. — Sorria mais. As câmeras estão amando você.
— Estou sorrindo por dentro, pai — menti, sentindo a bile subir.
— E