DANTE VELASQUEZ
Coloquei a caixa preta sobre minha mesa. Passei a mão pelo rosto, sentindo a tensão nos ombros.
Ariel entrou. Ela não entrou arrastando os pés ou olhando para o chão como a maioria dos funcionários fazia quando era chamado à "sala do chefe". Ela entrou com o queixo erguido, segurando a bolsa com força, os olhos castanhos varrendo o ambiente como se procurasse rotas de fuga.
— Sente-se. — ordenei, apontando para a cadeira em frente à minha mesa.
Ela caminhou até lá e sentou-se na ponta da cadeira, as costas retas e os joelhos juntos. Uma postura defensiva.
Cruzei as mãos sobre a mesa e fiquei em silêncio. Apenas a encarando. Normalmente o silêncio faz os culpados falarem. Mas Ariel não falou. Ela sustentou meu olhar, embora eu pudesse ver a pulsação acelerada na veia do pescoço dela. Ela estava com medo, sim, mas havia uma teimosia ali que me intrigava tanto quanto me enfurecia.
— E então? Não tem nada a dizer?
Ela piscou, um movimento lento de cílios long