ARIEL MACEY
DOIS ANOS DEPOIS...
O tempo é um artesão curioso. Ele cura feridas, suaviza cicatrizes e constrói impérios, se você permitir.
A cicatriz na testa de Vittoria tinha se tornado apenas uma linha fina e pálida, quase invisível sob a franja do cabelo escuro que agora caía até o meio das costas. Era parecida com a cicatriz de Henrico, mas a dele estava na sobrancelha esquerda. Até perguntei para ele de onde veio sua cicatriz e ele disse que não lembra, também foi na infância.
Vittoria não se lembrava da queda. Não se lembrava da dor. Para ela, a vida era correr pelos vinhedos, aprender a andar a cavalo com Henrico e ser a princesa da Toscana.
Para mim e Henrico, a cicatriz era um lembrete diário de que a felicidade é frágil e deve ser protegida a todo custo.
Mas hoje... hoje a felicidade parecia sólida. Tangível. Feita de papel, tinta e assinaturas.
— Senhora? — A voz da minha assistente, Giulia, me trouxe de volta à realidade. — Eles estão esperando.
Pisquei, focando na s