Leonardo*
Passei a manhã inteira na empresa.
Reunião com o jurídico, pilhas de relatórios, decisões que exigiam atenção enquanto minha cabeça insistia em voltar para o mesmo ponto. Mesmo sentado na minha sala, resolvendo pendências e assinando papéis, era impossível não sentir que havia algo maior se movendo por baixo de tudo.
Ao meio-dia, comecei a guardar os documentos. Desliguei o computador, avisei à secretária que não sabia quando retornaria e segui para o endereço combinado.
O restaurante era discreto, mas caro o suficiente para deixar claro que ninguém ali estava apenas almoçando por fome.
Encontrei Carlos na calçada, parado em frente a uma vitrine de relógios, as mãos nos bolsos do paletó, expressão tranquila demais para quem estava prestes a entrar numa negociação tensa.
— Vai comprar um? — perguntei ao me aproximar.
Ele sorriu de canto.
— Se essa reunião terminar bem, eu até mereço.
Cumprimentamo-nos rapidamente. Carlos me avisou, em tom baixo, que Verônica e o advogado dela