Era segunda-feira.
E, pela primeira vez em dias, a casa estava silenciosa demais.
Meus pais tinham ido embora no fim de semana. Ontem eu tinha passado o dia inteiro com a Alana e a Lívia, almoço preguiçoso, risadas na sala, filme à tarde, banho demorado na pequena antes de dormir. Tudo parecia… quase normal.
Quase.
Acordei com a Alana ainda ao meu lado, mas havia algo diferente. Não era só preocupação. Era como se ela estivesse presente e ausente ao mesmo tempo, o corpo ali, mas a cabeça quilômetros distante.
Beijei sua testa.
— Bom dia.
Ela sorriu, mas foi um sorriso curto. Contido.
Descemos para o café. Comemos enquanto conversamos coisas aleatórias.
Depois do café, fui me arrumar pro trabalho. Quando voltei pra sala, ela estava sentada no sofá, o celular nas mãos, os olhos grudados na tela com uma concentração que não combinava com ela.
Quando percebeu minha presença, se mexeu rápido demais.
Rápido demais pra ser natural.
— O que foi? — perguntei, já sentindo o estômago apertar.
— N