CAPÍTULO 5

POV - AIDEN

Deixei a garota sob os cuidados dos humanos.

O hospital estava movimentado, como sempre. Luzes artificiais, cheiro de produtos químicos… um ambiente que nunca me agradou. Ainda assim, era o melhor lugar para ela.

Eu tinha pessoas infiltradas ali. Membros do meu clã ocupando cargos estratégicos. Nada que acontecesse naquela ala sairia do controle. Observei de longe enquanto a levavam em uma maca.

Frágil. Pálida. Quase sem vida.

Desviei o olhar. Aquilo não me dizia respeito. Virei as costas e saí. A noite me recebeu novamente.

Silenciosa. Familiar.

Apaguei todos os vestígios da invasão antes de deixar o território. Sangue, rastros… qualquer coisa que pudesse levantar suspeitas.

Por sorte, a matilha estava ocupada com a festa. A lua cheia sempre os deixava mais agitados. Mais… distraídos.

Era melhor assim. Não queria pânico. Não queria perguntas. Mas havia algo errado.

Muito errado.

Caminhei pela floresta, sentindo o vento frio bater contra minha pele.

Minha mente não se aquietava.

Eu não deveria ter interferido. Humanos não eram problema meu. Nunca foram.

Eles se destroem sozinhos. Sempre fizeram isso.

Então por que? Cerrei o maxilar.

Meu lobo se agitou dentro de mim. Inquieto. Atento.

Como se ainda estivesse em alerta. Como se…

Algo tivesse ficado para trás. A imagem veio sem aviso.

Moletom vermelho. Olhos escuros. Assustados. Fixos nos meus.

Soltei um rosnado baixo.

Irritado comigo mesmo.

— Não faz sentido — murmurei.

Era instinto proteger o território. Era instinto eliminar ameaças. Mas aquilo… Aquilo tinha sido diferente.

Eu não apenas eliminei o problema. Eu escolhi proteger… Humanos.

Passei a mão pelos cabelos, frustrado.

— Droga.

Continuei andando.

Mas então outra lembrança veio. Mais nítida. Mais incômoda. O terceiro homem… aquele que escapou. Seu cheiro sutil e difícil de identificar se espalhava pelo ar, como se fosse impossível saber exatamente de quem se tratava — mas eu sabia que ele ainda representava perigo.

Parei. Meu olhar se voltou para a escuridão da floresta.

Frio. Calculista.

Ele não era humano. Eu senti. Reconheci… Um de nós.

E ele trouxe humanos para dentro do meu domínio. Por quê?

Aquilo não foi acaso. Foi calculado.

Testei o ar ao meu redor, buscando qualquer vestígio restante.

Nada.

Ele foi cuidadoso. Rápido.

E isso me incomodava mais do que deveria. Porque significava uma coisa. Ele sabia o que estava fazendo. E talvez… Ainda estivesse por perto.

Meu lobo rosnou. Baixo. Ameaçador.

— Vamos encontrar você — falei para o vazio.

Mas não era só isso. Havia outra questão.

A garota. A humana.

Fechei os olhos por um segundo. A sensação voltou.

Incômoda. Forte. Errada.

— Não… — respirei fundo.

Aquilo não podia acontecer. Não com ela. Não com uma humana.

Quando abri os olhos, minha decisão já estava tomada.

Faria uma reunião com meu beta Marlon e iniciaria uma investigação sobre o ocorrido. Precisávamos descobrir quem era aquele bastardo.

E o que ele queria.

E quanto à garota… Meu maxilar travou.

— Ela não sai do território. A frase saiu antes que eu pudesse impedir. Fiquei em silêncio por um instante.

Então soltei um suspiro pesado.

— Pelo menos… até termos respostas.

Mas, no fundo, eu sabia.

Aquilo não era o único motivo.

E isso… Era um problema.

***

— Cadê ela?

Perguntei assim que entrei no escritório. Marlon ergueu o olhar, deixando o copo de vodka de lado.

— Dormindo no quarto de hóspedes. Mantive tudo em segredo, por enquanto. Só dois empregados de confiança sabem.

Assenti.

Era o melhor a se fazer. A presença de uma humana dentro do território não podia se espalhar. Ainda não. Não na noite de comemoração do clã.

Caminhei até a janela. A floresta se estendia além das paredes da propriedade. Escura. Silenciosa. Mas não segura.

— Precisamos falar sobre o terceiro — disse Marlon. Não precisei perguntar a quem ele se referia.

A imagem já havia passado pela minha mente antes mesmo de chegar ali — um reflexo da ligação que ainda compartilhamos, mesmo à distância.

Meu maxilar travou.

— Ele não era humano. O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Fugiu rápido demais — continuei. — Sabia o que estava fazendo.

Marlon se recostou na cadeira.

— Acha que foi aleatório? Soltei um riso baixo, sem humor.

— Nada disso foi aleatório.

Um deles morto antes mesmo de entender o que estava acontecendo. Outro não teve tempo de reagir. Mas o terceiro…

Ele sentiu. Ele correu. E escolheu fugir.

— Deve ser um renegado — sugeriu Marlon.

— Quero que investigue — falei firme. — Se era um renegado, precisamos descobrir quais eram suas intenções com essa ação.

— Já comecei — respondeu Marlon. — Mas… e a humana?

Fechei os olhos por um breve instante.

A imagem veio sem esforço.

Cabelos escuros. Olhos profundos. Assustados… mas firmes.

Diferente. Muito diferente.

— Ela não deveria estar aqui — murmurei.

E, ainda assim… estava.

Marlon apoiou os braços na mesa.

— Vou chamar Lyria. Ela vai saber como lidar com a situação.

Assenti de leve.

Fazia sentido.

Se alguém poderia manter a humana estável… era ela.

Mas não disse nada. Afastei-me da janela.

— Aquilo foi planejado — murmurei.

— O ataque? — Marlon perguntou, franzindo a testa.

— Não foi um ataque — respondi, firme.

Levantei o olhar, deixando meu tom pesado pairar sobre a sala.

— Foi algo… mais complexo do que isso.

Ele franziu o cenho.

— E qual seria o papel dos humanos nisso? — ele questionou, cauteloso.

Olhei novamente para a floresta.

Escura. Silenciosa. Mas cheia de intenções ocultas.

— Ainda não sei.

E era isso que mais me incomodava. A incerteza.

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