CAPÍTULO 4

Minutos depois...

Acordei. Tinha acabado dormindo devido ao cansaço extremo.

Meu corpo ainda doía, minha mente pesada, como se estivesse tentando emergir de um pesadelo que insistia em não acabar.

Por um instante, não soube onde estava. Então tudo voltou.

A floresta. Os homens. Annabell. E… ele.

Engoli em seco, sentindo o peito apertar. Quanto tempo havia passado?

Tentei mexer os braços, mas em vão. O moletom vermelho ainda me cobria, mas minhas pernas estavam expostas pelo vestido azul.

Estranhamente, o frio da noite parecia menos intenso do que deveria, como se a escuridão tivesse engolido parte do vento. Cada som — um galho estalando, um sussurro distante, o farfalhar das folhas — fazia meu coração acelerar, lembrando-me de que não estava sozinha e que qualquer movimento errado poderia me entregar.

Suspirei, fechando os olhos por um segundo.

Queria voltar no tempo. Queria nunca ter saído de casa.

Escutei o som de passos se aproximando

Meu corpo enrijeceu. Virei o rosto lentamente na direção do som.

Um homem surgiu de trás das árvores.

Olhos cor de mel. Cabelos castanhos cacheados. Bonito. Mas… diferente.

Não tinha a presença esmagadora do outro.

Ainda assim, havia algo nele que me deixava alerta.

— Creio que Aiden tenha falado de mim — disse ele, com naturalidade. — Sou Marlon. Ele disse, pacificamente.

Franzi levemente a testa.

Aiden...

O nome ecoou na minha mente.

— Ele pediu que eu viesse buscá-la.

Observei enquanto ele se aproximava. Seus movimentos eram firmes. Seguros. Quase… silenciosos demais.

Ele parou atrás de mim. Senti a tensão no corpo aumentar. E então —

A corda cedeu. Solta. Rápido demais.

Olhei para minha mãos, surpresa.

Depois para ele. Não havia faca. Como ele tinha cortado a corda?

Meu estômago revirou.

— Levante-se. Sua voz era firme. Autoritária.

Obedeci sem questionar.

Minhas pernas tremeram quando tentei ficar de pé.

— Vou ter que venda-lá — continuou ele. — Não podemos arriscar.

Assenti, mesmo contrária a idéia. Mas que escolha tinha contra ele? Resumindo, não tinha escolha.

Quando o pano cobriu meus olhos, a escuridão voltou. Mas dessa vez… era pior.

Porque eu estava consciente. Vulnerável.

— Vamos — disse ele.

Senti suas mãos me guiarem. E então —

Fui erguida, pressionada contra suas costas largas.

— Envolva suas pernas em mim — disse ele. Fiz o que mandou, enroscando minhas pernas ao redor dele. Permanecer pendurada ali era desconfortável, mas o medo de desobedecer me fazia manter a posição.

— Segure firme. Ele disse.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa —

O mundo se moveu. O vento cortou meu rosto com força. Um sobressalto escapou de mim.

Ele estava correndo. Rápido demais.

Rápido de um jeito que não fazia sentido.

Enterrei o rosto em suas costas, tentando me proteger. Meu coração disparou. Aquilo não era normal. Nada daquilo era...

Sua pele estava quente, tanto que eu podia sentir através das roupas.

Quente demais.

O corpo dele era firme, seguro, e cada passo fazia meu coração disparar. Eu me segurava com força, consciente de que qualquer descuido poderia ser fatal. A escuridão nos envolvia, cada som ao redor aumentava meu medo — galhos quebrando, folhas farfalhando, o vento carregando sussurros distantes.

— Segure firme — ele murmurou novamente, e eu apertei minhas pernas ainda mais, sentindo o ritmo de seus passos como se fossem uma batida de tambor na minha própria adrenalina.

— Vai ficar tudo bem — disse ele, sem perder o ritmo.

O tom dele… era exatamente tranquilizador.

O vento zumbia nos meus ouvidos. O tempo parecia distorcido. Se eu não estivesse ali, pensaria que estava em um carro em alta velocidade. Ou algo ainda mais rápido.

Minha mente tentou acompanhar. Falhou.

As lágrimas vieram sem aviso. Silenciosas. Annabell..

Será que ela estava viva? Será que aquele homem… Aiden… realmente a tinha levado para ser socorrida? Ou aquilo também fazia parte de algo pior?

Meu peito apertou.

Eu não sabia onde estava indo. Não sabia quem eles eram. Não sabia se sairia viva daquilo.

Mas o que eu podia fazer?

Nada.

Eu estava nas mãos deles. Completamente.

O cansaço começou a me alcançar. Pesado. Implacável… Minha mente já não conseguia mais sustentar o medo.

Minhas pálpebras ficaram pesadas. Mesmo sendo a segunda vez que a inconsciência ameaçava vir sobre mim, parecia que minha mente estava sobrecarregada. Apenas senti.

O som do vento… distante. O movimento… constante. E então —

Eu cedi.

Deixei a escuridão me levar novamente. Com uma única esperança ecoando dentro de mim:

Que, quando eu acordasse…

Ainda houvesse uma chance de tudo aquilo acabar.

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