O silêncio daquela madrugada era quase opressor.
Do lado de fora, o vento soprava entre as árvores da casa principal da matilha, e Hellena observava pela janela o mesmo céu nublado que cobria o Norte.
Havia algo diferente no ar — um tipo de energia que fazia sua pele arrepiar e seu coração bater fora do ritmo.
O vínculo.
Ela não queria admitir, mas sentia. Desde o conselho, uma linha invisível a prendia a ele, atravessando a distância, a razão e o medo.
Augusto.
O nome ecoava em sua mente como uma melodia perigosa.
Desde o primeiro confronto, ela o odiara por tudo o que representava: domínio, rigidez, arrogância. Mas agora… havia algo mais. Algo que a confundia e, ao mesmo tempo, a desafiava.
Ela o via não apenas como o Alpha impiedoso que todos temiam, mas como o homem que lutava contra algo dentro dele — e isso, paradoxalmente, o tornava ainda mais fascinante.
A porta do quarto se abriu lentamente, e sua mãe entrou, cruzando os braços.
— Você não dormiu — disse, sem surpresa.
Helle