Mundo ficciónIniciar sesiónDepois de ter feito sua escolha, Alanis acabou sendo morta pelo homem que amava por ter causado a morte de sua irmã, agora, depois e voltar no tempo para o dia em que fez sua escolha, ela decide mudar as coisas e aceitar o pedido de casamento do príncipe louco. Um contrato surge entre eles e só a Deusa da lua pode dizer como o futuro irá se desenvolver dessa vez, porque tudo está mudando.
Leer másEu ainda sentia aquelas correntes de prata que prendiam meus pulsos quando abri meus olhos e ouvi meu pai dizer as mesmas palavras outra vez.
— O príncipe herdeiro me enviou uma carta, um pedido, é o que ele diz, mas na verdade é uma ordem. Ele deseja um noivado entre vocês dois e depois de todo o escândalo que você fez para um forçar um casamento entre você e o duque, Dante Shannet, eu sinceramente me pergunto como devo resolver essa questão — ele parecia irritado, assim como esteve irritado no passado e eu engoli em seco me perguntando o motivo para estar revisitando essas malditas memórias enquanto dava meus últimos suspiros — suponho que não será agora, depois de tanto tempo, que você irá criar juízo e desistir dessa obsessão mal resolvida por por aquele garoto, e fará algo pelo bem dessa família.
Senti todo o meu corpo estremecer, e me perguntei quando essa memória desapareceria e eu voltaria para a cela, para o lugar onde Dante Shannet me torturava por ter sido a causadora da morte da mulher que ele realmente amava e ali, eu encarei, nessa memória. Lídia. Os olhos doces, os lábios de boneca e o rosto angelical. Lídia era minha meia irmã e foi nesse dia que eu a condenei à morte, quando me recusei a casar com o príncipe e o meu pai, o marquês, teve que enviar ela para o príncipe herdeiro, tentando consertar as coisas, como um prêmio de consolação.
Naquela época eu pensava que Lídia era perfeita para ser uma princesa e que o príncipe se apaixonaria por ela, porque eu sabia que Dante havia se apaixonado. Eu sabia. Mas não sabia o quanto ele a amava.
“Se eu ao menos pudesse mudar as coisas”
Abri minha boca para falar e desejei que as palavras que saíssem dessa vez, fossem diferentes da primeira.
— Me perdoe, meu pai, eu sei que fui exigente e mimada — eu me ouvi dizer e senti todo o meu corpo tremer, porque agora, não parecia mais uma memória. Aquilo não era o que eu tinha dito no passado, ainda assim, eu continuei a falar — mas não quero prejudicar nossa família ou sua honra. O senhor tem razão. Se o príncipe me deseja como sua noiva, então eu farei isso.
Os olhos dele pareciam se abrir em surpresa e eu pude ouvir o arfar de alegria de Lídia que entendia exatamente o que minhas palavras queriam dizer.
— Vocês… tem certeza? — Ele me perguntou mesmo quando não queria saber a resposta, quando implorava para que a loucura que tivesse me acometido naquele instante, continuasse até o anúncio oficial — porque se fizer isso, não terá como voltar atrás.
Engoli em seco agora sentindo que tudo isso era mais real, mais palpável. Eu estava mesmo ali. 25 anos no passado. Encarando meu pai outra vez na minha frente, me permitindo tomar as rédeas da minha vida de volta e escolher o meu futuro, outra vez. Eu não sabia se a Deusa tinha tido dó da minha alma miserável ou se algo diferente tinha acontecido, mas eu tinha certeza de que não ia desperdiçar essa chance, mesmo que não passasse de um sonho antes do final doloroso que Dante desejava para mim.
— Sim, eu tenho certeza — falei aquelas quatro palavras com a mesma força e certeza que declarei meu amor a Dante tantas e tantas vezes.
— Nesse caso, — o marquês, meu pai, pigarreou enquanto se endireitava em seu assento — eu vou mandar uma carta ao príncipe e resolver as pendências.
Assenti e sem esperar por mais, me dirigi para a porta, implorando a Deusa que me deixasse sair da sala e ver aquele corredor que dava para a antessala, com as portas de vidro, com o jardim a poucos metros. Eu precisava de ar, precisava sentir que era real. Abri as portas pesadas com ambas as mãos e encarei o corredor, vi as portas, vi o jardim lá fora, no fim da tarde, e sem pestanejar eu praticamente corri para lá enquanto Lídia falava animado ao fundo, ainda na sala, ainda com nosso pai.
Eu senti o ar puro do jardim inundar meus pulmões enquanto saia para fora e fechei os olhos com esperança genuína. Algo realmente me permitiu uma segunda chance. Aquele cheiro de primavera, com as flores por toda parte, eu o tinha sentido pela última vez, uma semana antes de me casar com Dante; e eu jamais me esqueceria dele.
— Alanis! — A voz de Dante me alcançou e me fez estremecer, me virei em um sobressalto e o vi furioso, me encarando enquanto se aproximava — você já ficou sabendo não é? Soube do príncipe herdeiro!? Se você se recusar a se casar com ele, sabe que enviaram Lídia em seu lugar, não sabe?!
Eu me lembrava. Ele não tinha me encontrado naquele dia a 25 anos, porque eu estava em meu quarto, pulando de felicidade por ter a permissão de nosso pai para me casar com Dante e recusar o príncipe mesmo com uma ordem imperial me pedindo como sua noiva. Mas agora, ele estava ali, parado na minha frente, me encarando com raiva, a mesma raiva que ele tinha sentido no passado.
“Pela Deusa, como eu pude ser tão burra!”
— Veio pedir pela Lídia? — Eu o questionei sem contar a ele a verdade, porque eu queria saber até onde ele iria, até onde o seu amor incondicional por ela ia antes dela morrer nas mãos do príncipe. Era uma curiosidade idiota, mas no fundo, eu ainda tinha um pouco daquela garota idiota que tinha sido apaixonada por ele por tantos anos.
— Eu vim para te impedir de cometer uma injustiça! De entregar uma inocente para o louco do príncipe herdeiro! — Ele rosnou como se fosse o senhor da razão e eu quis rir.
— Certo, mas isso não diz respeito a você, duque Shannet — falei sentindo meu coração congelar — porque até onde eu sei, a mulher com quem você deveria se preocupar, sou eu, sua noiva. Então, não é algo que você deva opinar, a não ser, claro, que seja para defender o meu direito de escolha de um marido.
Ele engoliu em seco, mas eu não recuei. Eu vi as veias saltando na testa dele com a raiva que ele sentia, mas não me atrevi a ceder, porque ele teria Lídia, teria sua maldita felicidade e tudo que eu queria em troca, era um pouco de vingança.
Eu queria foder a cabeça dele enquanto eu ainda tinha chance.
ALANIS ARCHMe peguei surpresa encarando aquele armário completamente cheio de vestidos e uma parte minha se sentiu injustiçada, porque mesmo quando Lídia era a “vítima” ela era “amada”. Encarei tudo aquilo que na minha vida anterior tinha sido dela e me perguntei se havia algo de errado comigo. O contraste era tão grande com a realidade que eu recebi na mansão Shannet, que chegava a doer, mas ainda assim, eu engoli em seco e vi a empregada passar a mão entre os cabides como uma criança que se divertia com a ideia de encontrar algo bonito para vestir em mim, como uma menina que brincava de boneca.— A senhorita tem uma pele tão bonita, e seu tom de cabelo é tão escuro que eu tenho certeza que ficaria perfeita em todas as peças que temos aqui — ela continuava a tagarelar, e eu apenas assenti, como uma boa garota enquanto sentia a inveja e o rancor dentro de mim, se revirarem em meu estômago.— Obrigada — foi tudo que consegui dizer e enquanto ela andava de um lado ao outro, eu apenas a
ALANIS ARCHO príncipe herdeiro não era nada do que eu imaginava, mas quando saí do jardim e voltei para o meu quarto, me perguntei o quanto eu realmente sabia do mundo real, do mundo fora da órbita de Dante e do passado horrível que eu tive que encarar depois das minhas escolhas ruins.Eu ainda não sabia bem como eu tinha tido essa segunda chance e conversar com um sacerdote sobre voltar no tempo ou sonhos proféticos do futuro, era tudo menos natural. As leis sagradas deixavam bem claro o que era permitido, e o tempo, assim como a morte, era uma coisa a ser respeitada. Mesmo que a Deusa tivesse me dado uma segunda chance, eu não seria bem vista pelas pessoas que acreditavam no sagrado, nas leis naturais que regiam o nosso mundo. O problema era que saber disso não apagava as memórias que ainda estavam dentro de mim. Eu me lembrava muito bem dos eventos que havia sofrido, das humilhações e principalmente de como eu odiava o homem que em outro momento, amei de forma profunda e sincera.
SYLAS VERITAMeus olhos ardiam depois de ficar em claro por praticamente duas noites seguidas, e por um segundo, eu me permiti adormecer. Foi só um segundo, eu tenho quase certeza disso, quase, porque quando voltei a abrir meus olhos, a cama onde Lucien deveria estar dormindo, estava vazia.— Puta merda… a mamãe vai me matar — resmunguei jogando a almofada que estava abraçado, no chão.Eu tinha ficado responsável por cuidar do fodido, e agora, eu tinha deixado ele sair por aí, andando sozinho em um palácio gigantesco onde ele podia facilmente cair como uma donzela indefesa e ser atacado por qualquer maníaco. Me levantei o mais rápido que pude e endireitando o robe que eu vestia, comecei a procurar. Biblioteca, sala de música, o ateliê do quarto marido, o templo escondido que o pai de Lucien tinha criado como refúgio para ele, mas não, ele não ia facilitar. Não estava em nenhum lugar. Então, eu desci, sabendo que era sempre a pior opção. O jardim.O lugar frio. Cheio de olhos por todos
ALANIS ARCHDepois de ser escoltada pelo herdeiro de um plano infernal, me sentei na minha cama e encarei a porta do meu quarto como encararia um portal para outro mundo. Eu sabia que estava no palácio imperial, mas isso não tornava tudo simplório como deveria ser qualquer outro noivado. Era muito diferente da minha vida anterior, onde fiquei presa a mansão do ducado, como uma mera empregada que vez ou outra servia de senhora da casa para o público. Bom, isso até que Dante se cansasse de bancar o bom marido e resolvesse assumir de vez o papel de viúvo de Lydia. Eu sempre me perguntei como meu pai, um marquês, nunca se opôs ao tratamento que eu recebia publicamente dos Shannet, mas com o tempo, me acostumei com a ideia de que não podia esperar nada daquele homem. Nem mesmo o mínimo.Agora eu tinha que encarar uma outra realidade, uma onde eu não seria morta por Dante, mas ainda teria que lidar com um príncipe possivelmente psicótico. Todos sabiam dos boatos que circulavam pelo império
Último capítulo