Mundo de ficçãoIniciar sessãoHoras depois, o carro parou diante de uma cabana rústica e isolada, escondida nas montanhas cobertas de névoa. Não havia sinal de celular. Não havia guardas. Apenas eles três.
Assim que entraram, Colin chutou a porta, fechando-a e voltando-se para Louise. Ele a prensou contra a parede de madeira, o cano da arma ainda quente encostado no pescoço dela. — Estamos em um esconderijo que ninguém conhece. Nem o meu pai, nem os seus amigos russos — Colin sibilou, os olhos cinzas queimando de ódio e algo mais... uma fome reprimida. — Agora, você vai nos contar a verdade, Louise. Cada detalhe. Ou eu vou deixar o meu irmão se divertir com você até que não reste nada para os Kuznetsov reclamarem. Saimon deu um passo à frente, ficando do outro lado de Louise, cercando-a completamente. O ambiente era pequeno, quente e a tensão entre os três era quase insuportável. Louise sentia o calor dos dois corpos contra o seu, o cheiro de pólvora, suor e o desejo latente que nem o perigo de morte conseguia apagar. — O que vai ser, boneca? — Saimon sussurrou, deslizando a mão por baixo do roupão dela novamente, desta vez com o metal frio de uma faca encostado na pele de sua coxa. — Vai confessar... ou vai nos mostrar o quão longe uma espiã está disposta a ir para salvar a própria vida? Louise olhou de um para o outro, um sorriso desafiador e desesperado surgindo em seus lábios cortados. — Vocês querem a verdade? — ela cuspiu, olhando nos olhos de Colin. — Eu não sou apenas uma infiltrada. Eu sou a única que sabe onde o seu pai escondeu os 300 milhões de euros que ele roubou do cartel russo. E se eu morrer aqui, esse dinheiro desaparece para sempre. Vocês não podem me matar, Benedicts... porque eu sou a única coisa que separa vocês da falência total ou da execução. Ela então puxou o rosto de Colin e o beijou em sua bochecha como forma de provocação pura, enquanto sua mão livre deslizava para a cintura de Saimon. O silêncio na cabana era uma granada prestes a explodir. Colin limpou o rastro do beijo na bochecha com as costas da mão. O gesto foi lento, carregado de um desdém mortal. Seus olhos cinzas eram lâminas fixas em Louise. Ele não sentia desejo; sentia a fúria de um estrategista traído. Saimon, por outro lado, reagiu com a posse de um animal ferido. Ele apertou a cintura de Louise, puxando-a contra o seu corpo com uma força que roubou o ar dos pulmões dela. Uma risada rouca e perigosa escapou de seus lábios. — Você tem coragem, boneca. Eu te dou isso — Saimon sussurrou no ouvido dela, a pressão de seus dedos aumentando. — Mas coragem não compra lealdade. Compra apenas uma morte mais dolorosa. Colin deu um passo à frente, ignorando a provocação física do irmão. Ele virou a tela do tablet para Louise. As imagens da mansão Benedict em chamas iluminaram o rosto dela. — Olhe bem — Colin ordenou, a voz gélida. — Seu pai não é uma vítima. Ele é o carrasco. Ele está agora mesmo com uma arma na nuca do meu pai. O chão de Louise desapareceu. A promessa dos russos Kuznetsov ecoou em sua mente: “Entregue os Benedict e sua mãe sairá viva do cativeiro”. Ela foi usada. Pelo pai. Pelos russos. — Isso... não pode ser — Louise balbuciou. — Acabou o teatro — Colin sibilou, aproximando-se com a precisão de um carrasco. — Você não é mais uma noiva. É um alvo. Se o meu pai morrer, eu vou pessoalmente garantir que o seu último suspiro seja um pedido de desculpas. Saimon rosnou, bloqueando o avanço de Colin. Ele girou Louise, sentando-a no balcão de mármore e prendendo-a entre suas pernas. Suas mãos subiram pelas coxas dela, reivindicando cada centímetro de pele. — Menos, Colin — Saimon advertiu, os olhos fixos no irmão. — Ela é minha posse. Você quer vingança? Ótimo. Mas o corpo dela e o que resta da alma dela me pertencem. Ninguém toca no que é meu. Louise sentiu o calor sufocante de Saimon e o frio polar de Colin. Ela era o prêmio e o sacrifício. Colin começou a montar um fuzil sobre a mesa rústica, os estalos metálicos preenchendo o ambiente. — Você tem três horas — Colin disse, sem olhar para trás. — Três horas para nos dar uma razão para não jogarmos você aos lobos. Onde está o ponto de encontro do seu pai? Louise respirou fundo, o peito subindo e descendo com força. Ela precisava jogar a última carta. — Meu pai não quer apenas o dinheiro — ela soltou, a voz endurecida pelo desespero. — Ele quer o que está no subsolo da mansão. O Livro Negro dos Benedict. Colin parou o movimento da arma. O silêncio voltou, pesado. — Como você sabe do Livro? — Colin perguntou, a voz num sussurro letal. — Porque eu sou a única que pode abri-lo — Louise mentiu com perfeição, sustentando o olhar de Saimon. — O cofre é biométrico. Só o sangue de uma mulher da linhagem russa destrava o sistema. Meu pai me vendeu para que vocês me levassem até o coração do cofre. Saimon sorriu, um brilho obsessivo nos olhos. Ele deslizou a mão para a nuca dela, puxando-a para um beijo que era puro domínio. — Então você é a chave — Saimon murmurou contra os lábios dela. O celular de Colin apitou. O som foi como um estalo de chicote no silêncio da cabana. Ele não olhou para a tela , mas para a marca no quadril de Louise. — Eles chegaram — Colin sentenciou, engatilhando o fuzil. Ele virou a tela para Saimon. Um ponto vermelho pulsava exatamente sobre a localização deles. — O selo no seu quadril não é uma marca da máfia russa, Louise — Colin sibilou, os olhos injetados de ódio. — É um rastreador subcutâneo. Saimon apertou o braço dela, a fúria transbordando. — Seu pai não te enviou para ser noiva — Saimon rosnou. — Ele te enviou como uma isca viva para que os miseráveis dos russos pudessem nos encontrar. No segundo seguinte, o teto da cabana desabou.






