O Tribunal de Justiça de São Petersburgo não era um lugar para clemência. O edifício histórico, com suas colunas coríntias e tetos altos adornados com afrescos que narravam a severidade da lei, estava envolto em uma atmosfera gélida. Lá fora, o inverno russo soprava uma ventania que uivava contra os vitrais, mas lá dentro, o ar era denso, carregado pelo cheiro de madeira velha, cera de assoalho e o suor frio do medo.
O cenário era de um rigor militar. Fileiras de bancos de carvalho escuro estav