Narrado por Luna
Assim que as palavras saíram da minha boca, vi o pânico cruzar os olhos de Alan e de Ricci. Os estrondos que ecoavam do lado de fora agora eram inegáveis – um trovão constante de destruição que se aproximava.
— Cazzo! Cos'è quel rumore?! (Merda! O que é esse barulho?!) — Ricci gritou, seu olho arregalado entre mim e a entrada. A indecisão o paralisou por um segundo crítico, sua lealdade dividida entre o ódio por mim e o instinto de sobrevivência.
Aproveitei a hesitação dele para tentar me erguer, mas Alan não hesitou. Seu dedo apertou o gatilho. Um clique seco. A arma não disparou. Ele olhou para ela, confuso, e então para mim. Um sorriso de alívio trêmulo tocou meus lábios. Pela ajuda dos deuses, a… arma havia emperrado ou a munição havia encerrado. Não importava.
— Maledizione! (Maldição!) — ele rosnou, jogando a arma de lado acreditando ser inútil naquele momento.
Foi o caos que Ricci precisava para tomar uma decisão. Ele não era herói. Era um sobrevivente.