Narrado por Luna
Muitas horas se arrastaram. Meu braço já estava totalmente dormente, um peso morto e formigante, preso numa posição que doía mais pela humilhação do que pelo desconforto. A escuridão no galpão era quase total, apenas um fio de luz pálida vazando por uma fresta na porta de metal. A noite havia caído por completo, e com ela, um silêncio opressivo que era quase pior que os sons anteriores.
Até que os passos voltaram. Pesados, decididos. A luz da fresta foi bloqueada por um instante, a porta rangeu nos gonzos enferrujados, e Ricci entrou novamente. Aquele mesmo sorriso nojento, de predador que saboreia a presa indefesa, estampava seu rosto. Seus olhos, pequenos e brilhantes de malícia, percorreram meu corpo como se fossem dedos sujos.
Sem cerimônia, ele arrancou a mordaça. O ar frio e fétido invadiu minha boca seca.
— Bom, pequena ruiva. Já teve muito tempo para pensar e meditar — sussurrou, sua mão gelada se aproximando e acariciando meu cabelo com uma falsa ternura