No subsolo da mansão, o silêncio daquela sala blindada era pior do que qualquer ruído.
Sua sinestesia, alimentada pela ansiedade, transformava a espera numa tortura visual em que Luísa via borrões vermelhos e estalos amarelos como descargas elétricas piscavam na sua mente a cada batida frenética de seu coração.
— Senhora, por favor, beba um pouco d’água — pediu a governanta, oferecendo um copo com a mão trêmula.
— Não quero — sussurrou Luísa. — Eu preciso ouvir o piano... Eu preciso de algum