Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla já teve sete noivos, nunca chegou ao altar e jamais amou nenhum deles. Samantha Foster é uma noiva de aluguel profissional. Irônica, elegante e absurdamente boa em fingir amor, ela vende a ilusão do relacionamento perfeito para homens ricos resolverem crises de imagem. Ela tem regras rígidas: nada de casados, zero sexo e o anel sempre volta ao fim do contrato. Mas por trás da fachada fria, há um motivo desesperado: cada centavo financia a busca por sua irmã, desaparecida há cinco anos na manhã do próprio casamento. Até surgir Travis Callahan. Implacável, controlador e dominado por uma fobia severa de toque físico, o bilionário precisa de uma noiva de fachada em 30 dias para garantir o controle do império da família. O acordo era estritamente comercial, mas quando Samantha toca a mão dele em público e o homem que repudia o contato humano se recusa a soltar, a armadura dos dois começa a rachar. Tudo piora quando o irmão caçula e maior rival de Travis descobre a farsa — e o patriarca revela que o herdeiro precisa estar casado de verdade no papel para assumir a empresa. Forçados a transformar um noivado falso de um mês em um casamento de um ano, eles entram em uma guerra de poder, atração sufocante e limites perigosos. E no meio do fogo cruzado entre os irmãos Callahan, Samantha descobre que a irmã desaparecida investigava a própria família antes de sumir. Até onde você iria quando a única regra do contrato é não se apaixonar pelo homem que guarda os maiores segredos da sua vida?
Ler maisO amor é um péssimo negócio.
Ele é altamente instável, tem um custo de manutenção absurdo e, na maioria esmagadora das vezes, o retorno sobre o investimento é um divórcio litigioso ou uma conta alta de terapia. É por isso que eu não vendo amor. Eu vendo a ilusão dele. E, modéstia à parte, sou uma excelente executiva nesse ramo.
— Eu vou sentir tanto a sua falta, Sam — sussurrou o homem à minha frente, os olhos marejados enquanto segurava minha mão sobre a mesa do restaurante com estrela Michelin.
Arthur tinha trinta e dois anos, era herdeiro de uma rede de hospitais privados e precisava desesperadamente provar para o pai conservador que não era um inconsequente. Durante três meses, fui a noiva perfeita: discreta nos jantares de gala, adorável com a mãe dele e impecável ao sorrir para as fotos da imprensa.
Eu era a mulher que tinha "aprumado" o rapaz.
— Você foi incrível, Arthur — respondi com um tom calmo, acolhedor e perfeitamente ensaiado, oferecendo a ele meu melhor sorriso de despedida. — Mas nosso tempo acabou.
Retirei suavemente a mão do aperto dele. Com gestos lentos e precisos, desloquei o anel de noivado de platina e diamante do meu anular esquerdo. O metal frio deslizou pela minha pele até pousar com um estalo suave no centro da mesa, exatamente em cima do guardanapo de linho.
Arthur olhou para a joia como se fosse um artefato sagrado.
— Tem certeza de que não quer ficar com ele? Vale oitenta mil dólares.
— Regra Número Três, querido: contrato cumprido, anel devolvido — disse, pegando minha bolsa de grife. — E a Regra Número Quatro você já conhece: eu desapareço. Não me ligue, não me procure em eventos e, se nos cruzarmos na rua, sou apenas uma estranha elegante que você acha que conhece de algum lugar.
Ele engoliu em seco, assentindo lentamente.
— Você é fria, sabia?
— Eu sou uma profissional, Arthur. Há uma diferença enorme — dei uma piscadinha, me levantando da cadeira com a fluidez de quem domina o espaço. — Passe no escritório da minha agência para assinar a quitação final. Tenha uma boa vida.
Caminhei em direção à saída do restaurante sentindo o peso dos olhares sobre mim. O vestido tomara que caia cor de vinho marcava a cintura sem ser vulgar, e o salto alto estalava contra o piso de mármore como uma contagem regressiva.
A verdade é que eu não me importava se me achavam fria. Enquanto aqueles homens ricos brincavam de ter uma vida perfeita, o meu cachê gordo de seis dígitos já tinha destino certo: a conta do detetive particular encarregado de rastrear qualquer pista sobre Olivia.
Cinco anos. Cinco anos desde que minha irmã mais velha simplesmente evaporou na manhã do próprio casamento. Sem bilhete, sem corpo, sem rastro. A polícia arquivou o caso como "desaparecimento voluntário", mas eu sabia que Olivia jamais iria embora sem mim. Cada contrato que eu fechava, cada anel que devolvia e cada mentira que encenava serviam para financiar a busca pela única pessoa que importava no mundo.
Assim que pisei fora do restaurante no ar frio da noite nova-iorquina, entrei no carro executivo que me esperava e fui direto para a sede da Velvet Affairs — a agência ultra confidencial que gerenciava nossa clientela de altíssimo padrão.
Subi pelo elevador privativo até a cobertura. Ao passar pelas portas de vidro temperado, encontrei Beatrice, a fundadora e minha chefe, encostada na borda de sua mesa de mogno, segurando uma taça de cristal com uísque e um dossiê de couro preto nas mãos.
— Você demorou, Samantha — Beatrice disse, a voz suave, mas carregada com a autoridade de quem comanda um império invisível. — O Arthur tentou chorar no seu ombro de novo?
— O de sempre. Achou que a performance incluía sentimentos reais — tirei os brincos de pressão e me sentei na poltrona de couro à frente dela. — A transferência final do Arthur já foi autorizada? Preciso repassar a verba para o detetive da Olivia ainda hoje.
Beatrice não respondeu imediatamente. Ela deu um gole no uísque, me encarou por cima do vidro da taça e empurrou o dossiê de couro preto pela mesa na minha direção.
— Esqueça o bônus do Arthur por um momento. O que tem nessa pasta cobre um ano inteiro das suas investigações. Em dinheiro à vista.
Parei com os brincos na mão, franzindo o cenho.
— Quem é o cliente?
— O topo da cadeia alimentar de Nova York — Beatrice se ergueu, os olhos brilhando com um mistério calculado. — É um contrato de emergência. A maioria das nossas meninas nem chegaria perto de passar pela triagem dele, mas este homem não quis ver o catálogo. Ele fez questão de solicitar você. Foi uma escolha a dedo, Samantha.
Abri a pasta. A primeira coisa que vi foi o valor do cachê, e meu fôlego enganchou na garganta por meio segundo. O triplo da minha taxa habitual.
Logo acima dos dígitos, a fotografia de um homem em papel fotográfico fosco me encarava.
Ele tinha traços esculpidos em ângulos duros, maxilar travado e olhos de um cinza tão frio que pareciam capazes de atravessar a imagem. Um terno sob medida impecável, ombros largos e uma postura que emanava autoridade predatória e perigo silencioso.
Abaixo da foto, em letras impressas em relevo: Travis Callahan. CEO do Grupo Callahan.
Senti um arrepio incômodo subir pela minha espinha. Qualquer pessoa que lesse cadernos de economia ou revistas de negócios conhecia aquele nome. Frio, implacável, controlador ao extremo e famoso por destruir concorrentes antes do café da manhã.
— Travis Callahan não parece o tipo de homem que precisa pagar por uma companhia, Beatrice.
— E não precisa — minha chefe respondeu, caminhando até a janela que dava para a iluminação da cidade. — Ele não quer uma companhia, Samantha. Ele precisa de uma noiva de fachada para garantir a sucessão do império Callahan diante do avô. O problema é que o homem é uma fortaleza inacessível. Odeia distrações, exige controle absoluto e tem uma tolerância zero para falhas. Ele exigiu a melhor profissional que nós temos. A mais rápida, a mais discreta e a única capaz de bancar a noiva perfeita sem fraquejar.
Fechei a pasta com um estalo seco, encarando a foto de Travis Callahan mais uma vez.
— Quando eu o encontro?
Beatrice olhou para o relógio de pulso de ouro e sorriu com um toque de ironia.
— Amanhã de manhã. No heliponto da Torre Callahan. Prepare seu melhor sorriso, Samantha... porque você vai encontrar um predador de verdade.
POV SamanthaOs passos de Garrick Vance contra o piso de mármore soavam para mim como o tique-taque de uma bomba prestes a explodir.Três anos atrás, Garrick fora um dos meus contratos mais tranquilos. Quatro meses interpretando a noiva apaixonada para livrá-lo de um casamento arranjado, anel devolvido ao final, quitação assinada, ponto final. Mas ali, no meio do salão nobre da família Callahan, sob o olhar implacável de Travis, a presença dele era um desastre iminente.— Samantha? — a voz de Garrick ressoou, simpática e genuinamente surpresa, a poucos passos de nós. — Meu Deus, é você mesma! Eu sabia que não estava enganado.Eu senti o corpo de Travis ao meu lado se transformar em um bloco de puro gelo. A mão dele, que segurava meu pulso com firmeza calculada, soltou a minha pele apenas para deslizar imediatamente até a minha cintura, cravando os dedos no decote das minhas costas com uma força possessiva que quase me tirou o fôlego.Virei-me com a lentidão de quem caminha para um fuz
POV SamanthaO patriarca da família Callahan, Arthur Callahan Senior, não era apenas um homem de negócios idoso. Ele era o tipo de instituição viva diante da qual até os maiores CEO's de Nova York baixavam o tom de voz.Apoiado sobre uma bengala com cabo de ouro esculpido, os olhos azuis-claros do velho Callahan eram duas lâminas afiadas, calejadas por oito décadas de traições corporativas, decisões impiedosas e controle absoluto.Quando nos aproximamos, ele não sorriu. Apenas desceu o olhar lento da altura do meu coque até a ponta dos meus saltos, demorando-se por um segundo a mais no decote profundo das minhas costas e na mão de Travis, que continuava firmemente espalmada na minha cintura.— Então esta é a mulher que conseguiu tirar você da sua fortaleza de gelo, Travis? — a voz de Arthur era grave, rouca, mas carregada de uma autoridade natural que preenchia o espaço ao redor.— Avô — Travis assentiu com a cabeça, a postura impecável e austera. — Esta é Samantha Foster.Girei o meu
POV SamanthaExiste uma diferença abissal entre o medo e a repulsa. O medo paralisa; a repulsa te força a calcular a rota de fuga mais rápida para não precisar respirar o mesmo ar do sujeito.E ver Luke Callahan — o mesmo Luke que, dois anos atrás, tentou me contratar para aplicar um golpe de chantagem no próprio sócio e acabou expulso da minha reunião em menos de dez minutos — parado a menos de um metro de mim foi como engolir vidro moído.O mundo era assustadoramente pequeno. Mas o império dos Callahan era um ninho de cobras.— O mundo realmente dá voltas extraordinárias, não dá, Luke? — respondi, forçando o meu melhor sorriso de porcelana, sem deixar que o tremor da minha respiração transparecesse na voz. — Especialmente quando certas pessoas acham que podem comprar qualquer coisa que veem pela frente.Luke ergueu a sobrancelha, os olhos brilhando com uma malícia divertida. Ele sabia exatamente do que eu estava falando. Ele lembrava.— Algumas coisas não têm preço, Samantha — ele r
POV TravisA pontualidade é a única virtude que separa a ordem do caos absoluto.Eu olhei para o mostrador do Patek Philippe de aço escovado no meu pulso esquerdo. Dezoito horas e cinquenta e quatro minutos. O motorista já aguardava na garagem do subsolo com o SUV blindado. O itinerário até a propriedade do meu avô em Long Island estava calculado com margem para eventuais imprevistos no trânsito de Nova York. Tudo sob controle.Ou era o que eu tentava repetir para mim mesmo enquanto andava de um lado para o outro na sala de estar.O problema é que, desde que Samantha Foster cruzou o limiar desta cobertura, a sensação de controle tornou-se uma ilusão matemática.Eu estava acostumado ao silêncio limpo do meu espaço, à ausência de toque, à distância rigorosa que mantive durante trinta e quatro anos para me proteger das variáveis imprevisíveis das pessoas. Toques físicos desordenados e aproximações não autorizadas disparavam em mim uma reação quase visceral de rejeição. Eu precisava sabe
Último capítulo