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A Noiva de Aluguel do Bilionário
A Noiva de Aluguel do Bilionário
Por: Asya Martins
Capítulo 1 — O amor é um péssimo negócio.

POV Samantha

O amor é um péssimo negócio.

Ele é altamente instável, tem um custo de manutenção absurdo e, na maioria esmagadora das vezes, o retorno sobre o investimento é um divórcio litigioso ou uma conta alta de terapia. É por isso que eu não vendo amor. Eu vendo a ilusão dele. E, modéstia à parte, sou uma excelente executiva nesse ramo.

— Eu vou sentir tanto a sua falta, Sam — sussurrou o homem à minha frente, os olhos marejados enquanto segurava minha mão sobre a mesa do restaurante com estrela Michelin.

Arthur tinha trinta e dois anos, era herdeiro de uma rede de hospitais privados e precisava desesperadamente provar para o pai conservador que não era um inconsequente. Durante três meses, fui a noiva perfeita: discreta nos jantares de gala, adorável com a mãe dele e impecável ao sorrir para as fotos da imprensa.

Eu era a mulher que tinha "aprumado" o rapaz.

— Você foi incrível, Arthur — respondi com um tom calmo, acolhedor e perfeitamente ensaiado, oferecendo a ele meu melhor sorriso de despedida. — Mas nosso tempo acabou.

Retirei suavemente a mão do aperto dele. Com gestos lentos e precisos, desloquei o anel de noivado de platina e diamante do meu anular esquerdo. O metal frio deslizou pela minha pele até pousar com um estalo suave no centro da mesa, exatamente em cima do guardanapo de linho.

Arthur olhou para a joia como se fosse um artefato sagrado.

— Tem certeza de que não quer ficar com ele? Vale oitenta mil dólares.

— Regra Número Três, querido: contrato cumprido, anel devolvido — disse, pegando minha bolsa de grife. — E a Regra Número Quatro você já conhece: eu desapareço. Não me ligue, não me procure em eventos e, se nos cruzarmos na rua, sou apenas uma estranha elegante que você acha que conhece de algum lugar.

Ele engoliu em seco, assentindo lentamente.

— Você é fria, sabia?

— Eu sou uma profissional, Arthur. Há uma diferença enorme — dei uma piscadinha, me levantando da cadeira com a fluidez de quem domina o espaço. — Passe no escritório da minha agência para assinar a quitação final. Tenha uma boa vida.

Caminhei em direção à saída do restaurante sentindo o peso dos olhares sobre mim. O vestido tomara que caia cor de vinho marcava a cintura sem ser vulgar, e o salto alto estalava contra o piso de mármore como uma contagem regressiva.

A verdade é que eu não me importava se me achavam fria. Enquanto aqueles homens ricos brincavam de ter uma vida perfeita, o meu cachê gordo de seis dígitos já tinha destino certo: a conta do detetive particular encarregado de rastrear qualquer pista sobre Olivia.

Cinco anos. Cinco anos desde que minha irmã mais velha simplesmente evaporou na manhã do próprio casamento. Sem bilhete, sem corpo, sem rastro. A polícia arquivou o caso como "desaparecimento voluntário", mas eu sabia que Olivia jamais iria embora sem mim. Cada contrato que eu fechava, cada anel que devolvia e cada mentira que encenava serviam para financiar a busca pela única pessoa que importava no mundo.

Assim que pisei fora do restaurante no ar frio da noite nova-iorquina, entrei no carro executivo que me esperava e fui direto para a sede da Velvet Affairs — a agência ultra confidencial que gerenciava nossa clientela de altíssimo padrão.

Subi pelo elevador privativo até a cobertura. Ao passar pelas portas de vidro temperado, encontrei Beatrice, a fundadora e minha chefe, encostada na borda de sua mesa de mogno, segurando uma taça de cristal com uísque e um dossiê de couro preto nas mãos.

— Você demorou, Samantha — Beatrice disse, a voz suave, mas carregada com a autoridade de quem comanda um império invisível. — O Arthur tentou chorar no seu ombro de novo?

— O de sempre. Achou que a performance incluía sentimentos reais — tirei os brincos de pressão e me sentei na poltrona de couro à frente dela. — A transferência final do Arthur já foi autorizada? Preciso repassar a verba para o detetive da Olivia ainda hoje.

Beatrice não respondeu imediatamente. Ela deu um gole no uísque, me encarou por cima do vidro da taça e empurrou o dossiê de couro preto pela mesa na minha direção.

— Esqueça o bônus do Arthur por um momento. O que tem nessa pasta cobre um ano inteiro das suas investigações. Em dinheiro à vista.

Parei com os brincos na mão, franzindo o cenho.

— Quem é o cliente?

— O topo da cadeia alimentar de Nova York — Beatrice se ergueu, os olhos brilhando com um mistério calculado. — É um contrato de emergência. A maioria das nossas meninas nem chegaria perto de passar pela triagem dele, mas este homem não quis ver o catálogo. Ele fez questão de solicitar você. Foi uma escolha a dedo, Samantha.

Abri a pasta. A primeira coisa que vi foi o valor do cachê, e meu fôlego enganchou na garganta por meio segundo. O triplo da minha taxa habitual.

Logo acima dos dígitos, a fotografia de um homem em papel fotográfico fosco me encarava.

Ele tinha traços esculpidos em ângulos duros, maxilar travado e olhos de um cinza tão frio que pareciam capazes de atravessar a imagem. Um terno sob medida impecável, ombros largos e uma postura que emanava autoridade predatória e perigo silencioso.

Abaixo da foto, em letras impressas em relevo: Travis Callahan. CEO do Grupo Callahan.

Senti um arrepio incômodo subir pela minha espinha. Qualquer pessoa que lesse cadernos de economia ou revistas de negócios conhecia aquele nome. Frio, implacável, controlador ao extremo e famoso por destruir concorrentes antes do café da manhã.

— Travis Callahan não parece o tipo de homem que precisa pagar por uma companhia, Beatrice.

— E não precisa — minha chefe respondeu, caminhando até a janela que dava para a iluminação da cidade. — Ele não quer uma companhia, Samantha. Ele precisa de uma noiva de fachada para garantir a sucessão do império Callahan diante do avô. O problema é que o homem é uma fortaleza inacessível. Odeia distrações, exige controle absoluto e tem uma tolerância zero para falhas. Ele exigiu a melhor profissional que nós temos. A mais rápida, a mais discreta e a única capaz de bancar a noiva perfeita sem fraquejar.

Fechei a pasta com um estalo seco, encarando a foto de Travis Callahan mais uma vez.

— Quando eu o encontro?

Beatrice olhou para o relógio de pulso de ouro e sorriu com um toque de ironia.

— Amanhã de manhã. No heliponto da Torre Callahan. Prepare seu melhor sorriso, Samantha... porque você vai encontrar um predador de verdade.

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