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Capítulo 4 — Você é um maníaco por controle, sabia?

POV Samantha

Homens ricos têm uma mania insuportável de achar que o tempo do resto do mundo funciona em ritmo de pregão de bolsa de valores.

Eu estava no meio da minha segunda xícara de café da manhã, de buço limpo, calça de moletom cinza e um coque mal feito no topo da cabeça, quando meu celular sobre a bancada da cozinha começou a vibrar.

Atendi no terceiro toque sem olhar o visor.

— Se for oferta de plano de saúde, eu juro que—

Trinta minutos, Samantha.

A voz grave, áspera e sem qualquer traço de cortesia ressoou pelo alto-falante. Pisquei, afastando o celular do ouvido para encarar a tela. Número Privado.

— Callahan? — Apoiei os cotovelos na bancada, soltando uma risada irônica. — Você por acaso aprendeu a ligar para as pessoas sem começar com um ultimato, ou isso é um defeito de fábrica?

Rua 57, número 430. Cobertura B — ele ignorou completamente a minha provocação, o tom frio e inflexível. — Esteja aqui em trinta minutos.

— Eu estou de moletom, tomando café e no meu momento sagrado de paz. Nós combinamos de nos ver apenas na sexta-feira para o jantar—

O contrato foi assinado, e o planejamento mudou — ele interrompeu, e pude quase ouvir o som do maxilar dele travando do outro lado da linha. — Se você quer o seu pagamento integral, esteja no endereço em vinte e nove minutos.

A linha ficou mudo. Ele simplesmente desligou na minha cara.

Encarei o visor do telefone por três segundos inteiros, sentindo uma onda de irritação quente subir pelo meu pescoço.

— Ousado. Extremamente ousado — murmurei para a cozinha vazia.

Eu não era uma funcionária da linha de montagem das empresas dele. Eu era uma prestadora de serviços de altíssimo padrão. Mas, ao mesmo tempo em que a arrogância dele me dava vontade de atirar o celular pela janela, o pensamento da transferência bancária para o detetive de Olivia falou mais alto.

Respirei fundo, joguei o resto do café na pia e fui para o quarto. Se Travis Callahan queria uma reunião de emergência, ele teria. Mas teria nos meus termos visuais.

Vinte e quatro minutos depois, o táxi me deixou em frente a um dos edifícios mais exclusivos de Manhattan. O porteiro de quepe e luvas brancas apenas assentiu quando disse meu nome, indicando o elevador privativo que subia direto para a cobertura.

Quando as portas espelhadas se abriram, dei de cara com um hall de entrada em mármore negro e pé-direito duplo. A vista panorâmica do Central Park através das paredes de vidro era de tirar o fôlego, mas a figura parada no meio da sala de estar chamava muito mais atenção.

Travis estava de calça social preta e uma camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos. Sem paletó, sem gravata. O visual levemente mais casual só destacava o porte físico imponente e a postura rígida de quem parecia pronto para uma guerra a qualquer segundo.

Ele olhou para o relógio de pulso de aço escovado e depois para mim.

— Vinte e sete minutos. Atrasada dois minutos do meu teto ideal.

— Eu vim de táxi, Callahan. Não tenho um helicóptero particular à disposição como certos tiranas corporativos — respondi, tirando meus óculos de sol e caminhando para dentro do espaço sem pedir licença. — E se você me fez correr por Manhattan só para checar se eu sei usar o elevador, eu vou cobrar uma taxa de urgência.

Travis não se abalou. Ele deu dois passos em minha direção, parando àquela distância cirúrgica de segurança que mantinha entre nós. Os olhos cinzentos varreram meu terno feminino de alfaiataria bege com uma avaliação rápida.

— Você precisa mudar para cá. Hoje.

Parei no meio da sala, cruzando os braços e erguendo uma sobrancelha.

— Como é que é?

— Meu avô mandou investigadores checarem a nossa rotina — ele explicou, a voz grave e direta, sem rodeios. — Ele não é tolo, Samantha. Se nós afirmamos que estamos noivos e prestes a casar, ele espera que estejamos dividindo o mesmo teto. Um noivado de fachada com residências separadas levanta suspeitas na imprensa e no conselho da empresa.

Soltei uma risada baixa, desacreditada, balançando a cabeça.

— Você enlouqueceu de vez? O nosso acordo é de trinta dias para eventos públicos. Ninguém falou nada sobre morar sob o mesmo teto.

— O contrato possui uma cláusula de adaptação de logística para a proteção da farsa — ele rebateu, a voz perfeitamente serena e dominadora. — Você terá a sua própria suíte na asa leste da cobertura. Privacidade absoluta. Acesso exclusivo. Ninguém entra sem a sua permissão, e você não precisa cruzar comigo a menos que seja necessário.

— E a minha vida? Meu apartamento?

— Ficarão onde estão. Você trará o necessário para trinta dias. Suas despesas pessoais durante o período serão cobertas por mim.

Encarei-o por longos segundos. A necessidade obsessiva dele por controle era fascinante e irritante na mesma proporção. Ele planejava cada detalhe como uma operação militar, mas parecia esquecer que estava lidando com uma pessoa, não com uma filial da empresa dele.

— Você é realmente inacreditável, sabia? — dei um passo na direção dele, encurtando o espaço de propósito para ver a mandíbula dele tensionar. — Acha que pode simplesmente estalar os dedos e me mover como uma peça de xadrez.

— Eu pago para ter eficiência, senhorita Foster. Não para negociar sentimentos.

— Não são sentimentos, Callahan. É logística pessoal. Mas tudo bem... se você quer que eu more aqui, eu venho. Porém, com uma condição: você vai ter que me aguentar. Com todas as minhas opiniões, o meu café e a minha recusa absoluta em obedecer ordens latidas.

Travis sustentou meu olhar, e por uma fração de segundo vi uma faísca de desafio passar pelo cinza frio dos seus olhos.

— Aceitável.

Ele se virou e fez um gesto em direção ao corredor lateral, onde dois cabideiros de veludo preto com capas de proteção estavam posicionados ao lado de uma mesa de centro.

— Para a sexta-feira — ele disse, voltando ao tom corporativo. — Meu estilista pessoal providenciou três opções de vestidos para o jantar com a minha família. Você escolherá um.

Caminhei até os cabideiros e puxei o zíper da primeira capa. O tecido revelou um vestido de seda pura em tom verde-esmeralda, com um corte impecável, decote discreto e costas semiabertas. Era uma peça de altíssima costura, daquelas que custavam o preço de um carro popular.

Abri as outras duas capas: um modelo tomara que caia champanhe e um clássico preto de alfaiataria impecável.

Olhei para as roupas e depois para Travis, que me observava com os braços cruzados.

— Você manda o seu estilista comprar vestidos de milhares de dólares sem nem me perguntar minhas medidas?

— Ele tem acesso a informações públicas e fotos suas de eventos anteriores — ele respondeu com uma frieza matemática. — As medidas foram calculadas com precisão.

— Você é um maníaco por controle, sabia?

— Eu chamo de ausência de margem para erros.

Aproximei-me da opção verde-esmeralda, deslizando os dedos pelo tecido caro. Era perfeito. Ele tinha um gosto impecável — ou o estilista dele tinha —, mas eu não daria a ele o gosto de parecer totalmente impressionada.

— O esmeralda vai servir — disse, me virando para encará-lo com o meu melhor sorriso provocante. — Mas no próximo jantar, eu mesma escolho as minhas roupas, Callahan. Não sou um manequim da sua vitrine.

Travis deu um passo lento na minha direção, o corpo alto projetando uma sombra suave sobre mim. Ele manteve as mãos cravadas nos bolsos da calça, o olhar intenso e perigosamente fixo no meu rosto.

— Esteja aqui com as suas malas às dezoito horas, Samantha. A partir de hoje, você mora comigo.

— Não se preocupe, querido — sorri, passando por ele a milímetros de distância, sentindo o calor da pele dele irradiar através do ar. — Vou garantir que estes trinta dias sejam inesquecíveis para você.

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