Elisie Charpentier
Eu deveria entrar no quarto. Deveria simplesmente dar meia volta, me enfiar debaixo das cobertas e fingir que nada neste lugar consegue me afetar. Mas meus olhos… eles não param de voltar para a piscina lateral, onde Lucien nada como se fizesse parte da água.
Eu observo aqui no cantinho, atrás da coluna. Ele mergulha outra vez, sumindo no fundo escuro da piscina, e o silêncio da noite parece prender a respiração junto comigo. Ele leva longos segundos lá embaixo. Tempo demais. Tempo suficiente para eu pensar que algo está errado, mas claro, está longe de alguém como ele ficar sem ar.
Quando finalmente rompe a superfície, meu corpo inteiro endurece. Ele respira fundo, passa as mãos pelos cabelos molhados, e a água escorre pelas costas dele… costas que não deveriam estar tão expostas à lua. Só então percebo a tatuagem. Ela ocupa quase toda a omoplata. Linhas fortes, intrincadas, desenhadas com precisão assustadora. Não consigo decifrar o desenho, só o impacto visual. É…