O som metálico da maçaneta girando quebrou o silêncio da tarde. A porta rangeu devagar e Alberto entrou no pequeno lar onde Bianca vivia com Lúcia. A presença dele parecia deslocada naquele espaço: o terno escuro, o casaco pesado, o brilho severo do relógio de ouro em seu pulso — tudo contrastava com os móveis gastos, a toalha simples sobre a mesa e o cheiro de sopa que ainda pairava no ar.
Lúcia, surpresa, enxugou as mãos no avental. Não era comum vê-lo ali.
— Senhor Alberto… — murmurou em tom