A noite não terminou quando o vizinho foi embora.
Na verdade, parecia nem ter começado.
Lúcia trancou a porta pela terceira vez, certificou-se das janelas, apagou as luzes.
A casa ficou mergulhada num silêncio que não era o de costume — era o silêncio tenso de quem espera que algo volte a acontecer.
Bianca estava sentada na cama, as pernas cruzadas, abraçando um travesseiro com força.
A carta de Rafael permanecia na mesa de cabeceira, dobrada com cuidado demais para ser apenas papel.
Lúci