Mundo ficciónIniciar sesiónQuando os cinco voltaram para o quarto, ela estava sentada perto da janela.
Já tinha trocado de roupa. O cabelo preso de qualquer jeito. Sem joias. Sem o vestido perfeito. Sem a máscara que ela usava diante do mundo. Pela primeira vez, eles enxergaram apenas ela. A mulher que estava cansada de lutar sozinha. Quando a porta abriu, ela olhou para os cinco. E imediatamente percebeu. Algo tinha acontecido. — Vocês foram falar com ele… Não era uma pergunta. Donatello caminhou até ela. — Fomos. Ela fechou os olhos por um instante. Já sabia. Sabia pelo olhar deles. Sabia pela forma como entraram juntos. Sabia que eles tinham feito algo que não deveriam. — O que vocês fizeram? Ninguém respondeu imediatamente. Até que Ângelo falou: — Nós dissemos a verdade. Ela levantou devagar. — Que verdade? Miguelito se aproximou. — Que você não vai sair daqui. O coração dela acelerou. — Não… Ela balançou a cabeça. — Não, vocês não fizeram isso. Donatello segurou as mãos dela. — Fizemos. Ela olhou para os cinco, assustada. — Vocês não entendem. Sua voz começou a tremer. — Vocês não entendem o que isso significa. Ela se afastou um pouco. — Vocês enfrentaram Mateus por minha causa. Chunal respondeu: — Sim. — Vocês colocaram tudo em risco? Roivan olhou para ela. — Sim. Ela levou a mão ao rosto. — Meu Deus… As lágrimas começaram a cair. — Eu pedi exatamente o contrário. Donatello franziu a testa. — O quê? — Eu pedi para vocês me levarem embora. Ela olhou para eles desesperada. — Eu pedi para vocês viverem a vida de vocês. A voz dela falhou. — Eu não pedi para vocês destruírem o império que vocês construíram. Ângelo se aproximou. — Você ainda não entendeu. Ela olhou para ele. — O quê? Ele respirou fundo. — O império nunca foi mais importante que você. Ela ficou em silêncio. Porque aquela frase era exatamente o que ela tinha esperado ouvir por anos. Mas agora doía. Porque parecia tarde demais. — Vocês vão se arrepender. Donatello segurou o rosto dela. — Nunca. — Vai sim. Ela chorava. — Porque hoje vocês estão dizendo isso. Mas amanhã vão olhar para tudo que perderam e vão lembrar que foi por uma garota que nem deveria estar aqui. A expressão dos cinco mudou. Dor. Não raiva. Dor. — Não diga isso sobre você — Donatello falou baixo. Ela fechou os olhos. — Mas é assim que o mundo me vê. Ele respondeu imediatamente: — O mundo está errado. Ela abriu os olhos. — E se o pai de vocês estiver certo? Os cinco ficaram imóveis. — E se eu for só uma lembrança da infância de vocês? Silêncio. — E se vocês só acharem que me amam porque eu sempre estive aqui? Aquela pergunta atingiu cada um deles. Porque era o medo dela. O medo que ela carregava sozinha. Donatello se aproximou. — Então escuta com atenção. Ele segurou a mão dela e colocou sobre o próprio peito. — Eu não amo a menina que corria pelos corredores. Uma lágrima caiu do rosto dele. — Eu amo a mulher que ela se tornou. Ângelo continuou: — Eu amo a mulher que nos enfrenta. Miguelito: — A mulher que consegue ver humanidade onde ninguém mais vê. Roivan: — A mulher que ficou ao nosso lado quando todos só queriam o nosso poder. Chunal completou: — A mulher que foi nossa casa antes de percebermos que ela era. Ela ficou parada. Sem saber o que responder. Porque durante anos ela acreditou que era a fraqueza deles. Mas naquele momento começou a entender… Talvez ela não fosse a fraqueza. Talvez ela fosse a única coisa forte o suficiente para fazer cinco homens perigosos escolherem lutar. Donatello encostou a testa na dela. — Você pediu para nós escolhermos. Ele respirou fundo. — Nós escolhemos você. E pela primeira vez em muitos anos… Ela não teve uma resposta. Porque uma parte dela ainda tinha medo. Mas outra parte… Aquela menina de sete anos que chorava escondida nos cantos daquela mansão… Finalmente sentiu que alguém tinha voltado para buscá-la.






