Mundo de ficçãoIniciar sessão— Ela foi embora, Alfa. Acabamos de falar com o pai dela... e ele confirmou. Aurora não está mais entre nós.
Eu não entendia como, mas ainda conseguia senti-la. Ainda podia sentir seu perfume, mesmo depois de termos pronunciado o voto de rejeição. Os batimentos acelerados do seu coração. Seu corpo reagindo à minha ausência. A tristeza tomando conta dela. Eu ainda sentia cada detalhe de Aurora. Mas, nos últimos dias, nosso vínculo vinha enfraquecendo. Eu sabia que era mais seguro assim. Mantê-la longe de mim era a única maneira de protegê-la. Mesmo assim, não consegui evitar. Pedi ao meu ômega que fosse procurá-la. — Alfa, o senhor Marcus, pai da Aurora, pediu que nos mantivéssemos afastados. Disse que sua filha já sofreu o bastante e que espera, ao menos agora, um pouco de respeito. — Ele tem razão. E tinha mesmo. Mas isso não aliviava o peso esmagando meu peito. Saber que ela não estava mais no território da matilha me trazia certo alívio. Estávamos sendo atacados, e eu ainda não fazia ideia do motivo. Membros da matilha estavam sendo assassinados. Até mesmo dentro do nosso próprio território. Mesmo com meus guardas patrulhando todas as fronteiras. Eu tinha minhas suspeitas. Na verdade, existia alguém que eu acreditava estar por trás de tudo aquilo. Mas parecia loucura. Como se minha própria mente estivesse tentando me enganar. Ele estava morto... Não estava? E, mesmo que, por algum milagre da Deusa da Lua, tivesse sobrevivido... Por que agora? Por que tudo isso? Por que ainda não havia mostrado o rosto? Meus pensamentos foram interrompidos quando um grupo de soldados invadiu meu escritório às pressas. Um deles carregava uma criança nos braços. Ela estava coberta de sangue... Mas ainda respirava. Mais uma vítima. Mais uma inocente arrastada para uma guerra por poder. — O que aconteceu? — Ouvimos pedidos de socorro vindos da floresta. Quando chegamos lá, havia uma loba ao lado da criança. Ela estava gravemente ferida... não resistiu. Mas conseguimos salvar a menina. — Levem-na imediatamente para a enfermaria. Cuidem dela. E reforcem a segurança. Não quero mais ninguém ferido. Fui claro? Todos assentiram antes de sair. Fiquei sozinho no escritório, inquieto. A situação estava saindo completamente do controle. Eu precisava descobrir o que realmente estava acontecendo. E precisava fazer isso antes que fosse tarde demais. Pouco tempo depois, um dos funcionários bateu à porta e entrou carregando uma caixa. Disse que a encontrara na entrada da casa da matilha, onde eu morava com minha família. — O que é isso? Não havia remetente. Apenas o meu nome escrito do lado de fora. Peguei a caixa. Era surpreendentemente leve. Mesmo desconfiado, resolvi abri-la. No instante em que vi o conteúdo... Senti minhas pernas fraquejarem. Aurora. Havia várias fotografias dela. Ela estava em um lugar que eu não reconhecia. Sobre as fotos havia um bilhete. **Manter sua Luna longe não vai adiantar. Nós estamos observando.** Meu coração disparou. Eu precisava encontrá-la. Precisava protegê-la. E precisava descobrir uma maneira de tornar nossa rejeição permanente. — Alfa... o que houve? Meu Beta entrou na sala e me encontrou completamente pálido. — Aconteceu alguma coisa? É sobre a matilha? Ou sobre a criança? Respirei fundo antes de responder. — Acho... que é sobre todos nós. Beta, preciso encontrar outra companheira. E rápido. Preciso criar um novo vínculo com uma mulher forte, determinada... alguém digna de se tornar a Luna da Matilha Lua de Sangue. Ele me encarou por alguns segundos. — Então... você realmente aceitou a rejeição? Fechei os olhos por um instante. — É o melhor para todos. Meu Beta assentiu lentamente. — Nesse caso... acho que conheço alguém que é mais do que digna de se tornar sua Luna.






