Mundo de ficçãoIniciar sessãoGiovana
A porta do castelo bateu com força atrás de mim, e o estrondo ecoou como um tapa na minha cara. Entrei na floresta a passos rápidos, os punhos cerrados e a raiva queimando por baixo da pele. Aiden... Aquele desgraçado arrogante. Cada segundo perto dele era uma tortura. Fingir que o desejava. Fingir submissão. Quando, na verdade, tudo em mim sentia nojo. Eu nunca o quis. Nunca. Toda aquela encenação sempre foi uma mentira. Um plano criado por Kalel. E eu aceitei sem hesitar, como a seguidora fiel que sempre fui. Tudo para observar de perto o poderoso Alfa Supremo. Tudo para abrir caminho para o verdadeiro líder. Kalel. Mas agora... Eu tinha falhado. Aurora. Aquela mestiça patética, fraca e completamente perdida. Ele a marcou. E, naquele instante, tudo pelo que eu havia trabalhado parecia ter desmoronado. Nem mesmo depois de rejeitá-la, Aiden conseguiu resistir ao vínculo entre eles. A conexão dos dois era mais forte do que qualquer plano. Apertei o manto ao redor do corpo enquanto seguia pela trilha secreta sob a floresta. As raízes se retorciam pelo chão como dedos tentando me agarrar. Logo, a entrada escondida surgiu entre a névoa. Desci os degraus de pedra, guiada pela escuridão que eu conhecia tão bem. Kalel já estava me esperando. Sentado em uma cadeira de pedra, sem camisa, parte do peito coberta por faixas manchadas de sangue. Um dos braços ainda estava ferido. Seus olhos frios e calculistas acompanharam cada passo meu. Ele não disse uma palavra. Apenas esperou. Como sempre fazia. — Ele me humilhou. — Arranquei o capuz da cabeça. — Disse que eu não tenho lugar na vida dele. E tudo por causa dela. Ele marcou aquela mestiça, Kalel! Nosso plano... — Cala a boca. A voz dele cortou o ar como uma lâmina. — Senta. Minha respiração travou. Sem discutir, obedeci. Me ajoelhei ao lado dele, como sempre fazia. Como ele gostava. A dor nos meus joelhos já era familiar. Ela me mantinha focada. E eu... Eu vivia para agradá-lo. — Eu mandei você agir com inteligência. Com discrição. Mas deixou suas emoções falarem mais alto. Está se comportando como uma cadela no cio, Giovana. — O desprezo em sua voz era evidente. — Isso nunca foi sobre orgulho. É sobre poder. Controle. Você se aproximou de Aiden para observá-lo, não para chamar atenção. Muito menos para buscar reconhecimento. — Eu sei... — sussurrei, mordendo o lábio. — Eu perdi o controle. Só... fico enjoada quando ele chega perto de mim. Mas eu tentei fazer exatamente o que você pediu. Eu juro. Kalel inclinou o corpo para frente. O olhar dele era tão afiado quanto uma faca. — Então pare de agir como uma garotinha rejeitada. Se ele marcou aquela vira-lata, e daí? Nós vamos destruí-la por dentro. Devagar. Em silêncio. Meu coração acelerou. — O que você quer que eu faça? — Existe algum empregado do castelo que seja leal a você? Um sorriso amargo surgiu em meus lábios. — Todo mundo tem seu preço. Ele assentiu lentamente. — Ótimo. Descubra a rotina dela. Toda loba tem um hábito... alguma coisa que faz todas as noites. Talvez beba água antes de dormir. Talvez coma alguma fruta ou tome chá. Não importa o que seja, descubra. E, quando descobrir... coloque veneno. Senti um arrepio percorrer minha espinha. Kalel continuou, completamente frio. — Nada que mate rápido. Quero um veneno lento. Algo que vá enfraquecendo o corpo dela aos poucos. Que afete os sentidos. Que a faça definhar dia após dia. Principalmente na frente de Aiden. Engoli em seco. — E se ele desconfiar? Kalel deu uma risada baixa. Fria. Sombria. — Não vai. Ele está cego. Tentando proteger a garota e a alcateia ao mesmo tempo, vai acabar se destruindo. E, quando ele vacilar... Um sorriso cruel surgiu em seus lábios. — ...essa será a nossa oportunidade. Respirei fundo, sentindo o peso daquela missão cair sobre meus ombros. Era o começo. A guerra silenciosa finalmente havia começado. E, se eu não pudesse me tornar a Luna... Aurora também não viveria tempo suficiente para ocupar esse lugar.






