Mundo de ficçãoIniciar sessãoAntes de tudo, acordei com o peso da noite passada ainda me esmagando.
O toque de Aiden, a marca no meu pescoço... e o vínculo que eu já não conseguia mais negar. Eu tinha sido marcada, e, com isso, tudo havia mudado. O sol mal começava a nascer quando saí da cama, já sentindo que aquele dia não seria nada fácil. Eu não queria admitir, mas uma parte de mim tinha medo do que aquele vínculo significava. Era como se, de alguma forma, minha essência agora estivesse ligada à dele. Eu sabia que aquele laço era profundo. Eterno. Algo que eu nunca poderia apagar ou fingir que não existia. Era como se minha alma tivesse sido entrelaçada à dele de um jeito que eu ainda não conseguia compreender. A marca em meu pescoço continuava pulsando. Um lembrete constante do que Aiden e eu éramos agora. Não era apenas uma marca física. Era um destino. Uma promessa selada. Levantei e fui até o espelho. Meu reflexo parecia diferente. Os olhos ainda estavam marejados, como se a noite anterior tivesse deixado cicatrizes muito além da minha pele. Desviei o olhar rapidamente e comecei a me vestir, tentando afastar a insegurança que insistia em me consumir. Mas não adiantava. A sensação de que algo estava prestes a acontecer simplesmente não ia embora. Assim que saí do quarto, dei de cara com Giovana. Ela estava parada no corredor, exibindo aquele sorriso arrogante que eu sabia muito bem ser apenas uma máscara. Seus olhos percorreram meu corpo lentamente, cheios de desconfiança. — Ora, ora... até que enfim resolveu aparecer. — O sarcasmo escorria de sua voz. — Pelo visto a noite foi bem longa, não foi? Continuei andando até ela, sem esconder a tensão que tomava conta do meu corpo. Giovana sabia. Ela percebia que alguma coisa tinha mudado. — Então, como está o Aiden... o que está acontecendo? — perguntou, fingindo preocupação. — Eu sei que os ataques estão ficando cada vez piores. E agora ele tem uma Luna, não é? Ela soltou uma risadinha debochada, fazendo meu estômago revirar. — Me pergunto... será que é mesmo você? Você é tao... Tão fraca quanto uma mosca.... será que realmente é escolhida para ser a Luna? Cada palavra era como uma lâmina. Mas o que mais me irritava não era o insulto. Era o jeito como ela tentava usar tudo aquilo para atingir Aiden. Para plantar dúvidas na cabeça dele, porque não era só a mim que ela sendirigia naquela malícia, em qualquer oportunidade, as mesmas perguntas eram jogadas à ele. Giovana não se importava comigo. Ela queria vê-lo vulnerável. Queria que ele hesitasse. — Isso não é da sua conta, Giovana. — Forcei minha voz a permanecer firme. — Aiden fez a escolha dele. E você só está tentando manipular a situação. Ela deu um passo à frente, com um brilho de vitória nos olhos. Ela não estava ali para me apoiar. Nem para me respeitar. Estava ali apenas para provocar. — Eu sempre achei que seria eu. A Luna dele. Sempre achei que era a mulher que ele queria ao lado dele. Mas agora eu vejo a verdade... — Ela sorriu com desprezo. — Você é só uma substituta. Alguém que ele não conseguiu aceitar no começo... e que agora foi obrigado a aceitar. Meu sangue ferveu. Mesmo assim, respirei fundo. Eu não daria a ela o prazer de me ver desmoronar. — Você não tem mais lugar aqui, Giovana. — Minha voz saiu mais firme do que eu imaginava. — Se Aiden decidiu me marcar, isso diz respeito apenas a nós dois. Não a você. Ela soltou uma gargalhada. — Você acredita mesmo nisso? Seu olhar era puro desprezo. — Eu vi o que ele fez com você. No começo ele não aceitou você como Luna. Você nunca foi quem ele queria. Ele tentou rejeitar você. E se está ao seu lado agora... é porque não teve outra escolha. As palavras machucavam. A dor ainda estava ali. Mas eu jamais permitiria que ela percebesse. Nesse instante, a porta se abriu. A conversa foi interrompida quando Aiden entrou no ambiente. Sua presença dominou o lugar imediatamente. Giovana virou-se para ele e, em um segundo, trocou a expressão por um sorriso doce e perfeitamente calculado. — Aiden... — disse, como se nada tivesse acontecido. — Eu só estava conversando com Aurora sobre... as mudanças na alcateia. Estou preocupada com tudo o que está acontecendo. Você não pode colocar todos em risco. Aiden sequer pareceu interessado no discurso dela. Seu olhar encontrou o meu. E, por um instante, todo o resto deixou de existir. — Giovana. A voz dele saiu fria. Cortante. Mais fria do que eu já tinha ouvido. — Eu nunca dei a você qualquer motivo para acreditar que tivesse algum lugar na minha vida. E, quanto à Aurora... eu a marquei porque ela é minha. Você não vai me ensinar como cuidar da minha alcateia. A resposta foi direta. Sem espaço para discussão. Sem hesitação. Ele simplesmente não tinha mais paciência para os jogos dela. Giovana tentou manter a postura, mas a frustração estampada em seus olhos dizia tudo. Ela sabia que tinha perdido. Pelo menos daquela vez. — Como quiser. — Ela praticamente rosnou antes de sair, deixando para trás um silêncio pesado e toda a tensão que havia criado. Assim que ela desapareceu, fiquei sozinha com Aiden. O silêncio entre nós parecia denso. Quase sufocante. Ele caminhou devagar até mim. Seu olhar parou na marca em meu pescoço. — Eu sei exatamente o que ela estava tentando fazer. — Sua voz agora era muito mais suave. — Não deixe que ela entre na sua cabeça. Eu não sabia o que responder. Mas seus olhos diziam muito mais do que qualquer palavra. Ele estava ali. Comigo. E, naquele momento, era a única coisa que realmente importava. Mesmo com as manipulações de Giovana e os ataques que cercavam a alcateia, eu sentia que algo muito maior estava nascendo entre nós. Aquela marca já não era apenas um símbolo. Era uma promessa. A promessa de que, juntos, enfrentaríamos tudo o que estivesse por vir.






