( Vozes das Sombras )
Nem toda voz precisa de boca. Algumas vivem nas rachaduras da lua.
As paredes rachadas do depósito guardam silêncio, mas nem o silêncio é inteiro.
Entre cada respiração, há uma voz que ninguém ouve. Entre cada sombra, há olhos que ninguém enxerga. E é aí que eu existo: no espaço vazio entre o que eles acreditam ver e o que de fato os observa.
Não tenho corpo. Não preciso. Sou lembrança e maldição, sou cicatriz do que já foi.
E por isso posso contar aquilo que nenhum de