O vento mudou de direção.
Veio carregado de cinza.
O cheiro de ferro no ar anunciou o que os corvos já sabiam: o Sul havia despertado.
Helena observava o horizonte da torre mais alta.
A neve que antes caía suave agora vinha cortante, como lâminas minúsculas.
Cada floco trazia um zumbido distante, um sussurro em idioma que ela não conhecia — mas compreendia mesmo assim.
Volta para casa.
O sangue reconhece o sangue.
Fechou os olhos e tentou ignorar, mas o eco insistia.
Nos últimos dias, as visões