— Boa noite, Meireles — diz ele, a voz grave arrastando uma ironia gélida que arranha o silêncio da sala.
Sentado no sofá com os braços cruzados sobre o peito largo coberto por uma camisa canelada que delineia os músculos como uma segunda pele. Uma das sobrancelhas está arqueada e os olhos cravados nela como se tivesse acusando-a de ter feito algo muito errado. A luz acima da sua cabeça projeta sombras duras sobre o maxilar rígido, as pernas afastadas.
O susto a golpeia como um balde de água fri