(POV Lis)
A dor vem depois.
Sempre depois.
Como se o corpo fosse inteligente o suficiente para esperar o momento errado.
Como se soubesse que, enquanto tudo ainda está acontecendo, sentir seria um luxo que eu não posso ter.
Então ela espera.
Se acumula.
Se esconde sob a adrenalina, sob a urgência, sob a necessidade de continuar.
Mas eu sei que ela está lá.
Esperando.
Pronta para me atingir quando tudo parar.
Só que…
ainda não acabou.
E enquanto não acaba, eu não sinto.
Eu não posso.
Eu não vou.