Darya engoliu em seco. A água misturava-se com as lágrimas, mas o choro não fazia barulho. Nunca fazia. Era um choro contido, antigo, como tudo o que doía nela.
Lembrou-se das mãos do pai, manchadas de sangue, a tremerem enquanto tentavam segurar as dela. Lembrou-se do medo nos olhos dele, não por si, mas por ela. Como se soubesse.
— Vai ficar tudo bem — ele dissera, mentindo com ternura.
O chão da casa de banho pareceu afastar-se por um momento. Darya escorregou até se sentar, os joelhos