Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlessia Cardinale sempre viveu à sombra de seu sobrenome, uma mulher marcada pelo poder da máfia italiana, mas rejeitada pelos homens por ser gordinha. Inteligente, astuta e de espírito rebelde, Alessia é a ovelha negra que se recusa a se submeter às rígidas regras de seu pai, o temido Capo da máfia italiana. Mas, para garantir uma aliança vital, o Capo tem apenas uma moeda de troca: sua única filha. Maksim Volkov, o implacável Pakhan da Bratva russa, é tudo o que Alessia não é: alto, musculoso, incrivelmente sexy e um mulherengo incorrigível que coleciona modelos como se fossem troféus. Ele é a definição de um homem dominante, controlador e frio. No dia de seu casamento arranjado, Maksim conhece Alessia pela primeira vez. A aversão é imediata. Acostumado à perfeição física, Maksim mal consegue esconder a rejeição ao ver sua esposa “pouco atraente”. Para ele, o casamento não passa de um contrato. Alessia será apenas um enfeite no papel, uma ferramenta para selar um acordo, nada mais. O que Maksim não sabe é que subestimou gravemente sua nova esposa. Alessia Cardinale não é do tipo que se conforma em ser um simples “enfeite” e, além disso, tem um propósito a cumprir. Determinada a derrubar a muralha de gelo do marido e conquistar seu coração, ela está disposta a usar sua astúcia e seu charme para provar que uma mente brilhante e um espírito indomável valem muito mais do que qualquer corpo de modelo. Em um mundo de traições, segredos e intrigas, onde a confiança é um luxo e o amor, uma fraqueza, será que Alessia conseguirá transformar um acordo de negócios frio em uma paixão ardente, ou seu coração rebelde será a próxima vítima desse perigoso casamento mafioso?
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Não é segredo para ninguém que, no mundo das organizações criminosas, as filhas dos chefes da máfia não passam de simples moedas de troca que seus pais usam para negociar alianças com outras organizações, criando laços de lealdade e fortalecendo ainda mais seu poder. Como filha única de Bruno Cardinale, o Capo da Máfia Cardinale, a organização criminosa mais poderosa da Toscana italiana, eu nunca fui vista dessa forma por um único motivo que parecia me condenar: eu era uma gordinha que jamais poderia ser desejada por um homem poderoso. Não importava que eu fosse astuta, inteligente, bem-educada e tivesse inúmeras outras qualidades que me faziam se destacar. Ser gordinha era o maior crime que eu havia cometido contra meu pai e contra a organização, porque, segundo eles, eu jamais seria capaz de cumprir meu propósito, já que homem algum aceitaria se casar comigo. E, às vezes, até eu acreditava nisso. Aos vinte e seis anos, eu era a rejeitada de todos, até mesmo do meu próprio pai que, embora me amasse de todo o coração, não me via como uma moeda de troca valiosa capaz de lhe trazer benefícios. Mas, naquele dia, quando ouvi que Maksim Volkov, o Pakhan da Bratva Volkov e o homem mais bonito e sexy que meus olhos já tinham visto, iria se casar com uma mulher da nossa organização para firmar uma aliança, soube que precisava fazer alguma coisa para mudar o meu destino. Eu o queria. Maksim Volkov seria meu marido. E não apenas isso... Eu faria com que ele deixasse de me enxergar apenas como parte de um acordo... faria com que se apaixonasse por mim e fosse leal a mim até a morte. --- O salão principal da mansão Cardinale cheirava a tabaco caro, uísque envelhecido e ambição. Os homens mais poderosos da organização estavam sentados ao redor da longa mesa de madeira escura, conversando em voz baixa, medindo cada palavra como se fosse uma bala. Eu permanecia de lado, sentada com a coluna ereta e as mãos entrelaçadas sobre o colo, fingindo ser invisível... como sempre. Mas prestava atenção a tudo o que diziam para aprender, porque, se meu destino não fosse encontrar o amor e me casar, um dia eu pretendia me tornar a primeira mulher a ocupar o posto de Capo da organização. Meu pai, Bruno Cardinale, presidia a reunião na cabeceira da mesa. Sua simples presença impunha silêncio e respeito. Ele não precisava elevar a voz para que todos soubessem quem mandava ali. Era o grande Capo. O homem que havia construído um império com sangue, inteligência e terror. E eu... Eu era sua filha. E sua herdeira. — Chegamos a um ponto crítico — disse ele por fim, rompendo o murmúrio. — A guerra contra a Bratva Volkov está nos custando homens, dinheiro e território. Um arrepio percorreu minha espinha ao ouvir aquele sobrenome. Eu nem precisei erguer os olhos para sentir a tensão se tornar mais densa no ambiente. Todos sabiam quem era Maksim Volkov. O Pakhan. O homem mais temido da Bratva. Frio. Brutal. Inteligente. Perigoso. E, embora eu nunca o tivesse conhecido pessoalmente, já o havia visto de longe. Em fotografias, em relatórios confidenciais e nos rumores sussurrados com medo e admiração. Alto. De olhar glacial. Poderoso. Bonito de uma forma sombria e letal. — Depois de semanas de negociações — continuou meu pai —, Volkov e eu chegamos a um acordo para pôr fim a esta guerra. Os homens se inclinaram para a frente, atentos. — Uma aliança — acrescentou. — Que unirá a Máfia Cardinale e a Bratva Volkov. Uma união que nos tornará mais fortes do que nunca. Meu coração começou a bater com força. — E qual é o preço? — perguntou alguém. Meu pai não hesitou. — Uma aliança matrimonial. O mundo parou. Senti o ar abandonar meus pulmões e voltar de repente, como se tivessem me empurrado para o fundo do mar. Meus dedos se apertaram contra o tecido do meu vestido preto enquanto minha mente tentava processar o que acabara de ouvir. — Maksim Volkov se casará com uma mulher da nossa organização — anunciou meu pai. — Uma das filhas dos principais associados. Um murmúrio percorreu a mesa. Eu não respirava. Porque, embora ninguém soubesse, porque eu jamais admitiria isso em voz alta... aquele homem sempre despertara meu interesse. Não como uma fantasia romântica. Não como um sonho ingênuo. Eu gostava do perigo que ele transmitia. Da sua escuridão. Do seu poder. Gostava dele porque representava tudo o que este mundo respeitava... e tudo o que sempre me havia sido negado. Nenhum dos homens presentes era idiota. Todos sabiam o que uma união daquela importância com Maksim Volkov representava. — Minha filha Bianca seria perfeita — apressou-se em dizer um deles. — Jovem, bonita e bem-educada. — A minha também — acrescentou outro. — Foi criada para esse tipo de compromisso. — Mas nenhuma se compara à Elena — interveio Gio Marchetti com um sorriso orgulhoso. — Minha filha é a mulher mais bonita de toda a máfia italiana. Eu continuava ali. Ninguém olhava para mim. Ninguém pronunciava meu nome. Nem mesmo meu pai. Não era surpresa. Nunca era. Apesar de ser a filha do chefe, eu sempre fora a sombra. A que não se encaixava. A que não correspondia ao padrão de beleza que aquele mundo exigia das mulheres. A gordinha. Era assim que sempre me enxergavam. Senti o velho nó apertar meu peito. Aquela mistura de humilhação e raiva que eu conhecia bem demais. Mas, dessa vez... Dessa vez havia algo a mais. — Eu vou me casar com Maksim Volkov. O silêncio caiu sobre a mesa como um disparo. Todos os olhares se voltaram para mim. Por um segundo, ninguém reagiu. Depois... As gargalhadas explodiram como granadas. Risadas abertas. Debochadas. Cruéis. Alguns homens levaram a mão ao peito. Outros balançaram a cabeça, divertidos. Eu permaneci imóvel, com o queixo erguido, sustentando cada um daqueles olhares como se fossem um desafio. Todos... Menos meu pai. Ele me observava com uma expressão séria, indecifrável. — Alessia — disse Gio Marchetti entre risos. — Esta é uma reunião séria. Não é hora para piadas. Olhei diretamente para ele, endurecendo a expressão. — Não estou brincando. As risadas foram cessando aos poucos. — Você ficou louca? — disparou Gio. — Todo mundo sabe que Volkov gosta de mulheres bonitas. Com corpos de curvas sensuais. Não de alguém que parece um círculo... — Lembro que você está falando com a filha do Capo. Meça bem suas palavras antes de fazer qualquer insulto — retruquei. Meu comentário e meu tom firme obviamente não lhe agradaram, mas ele se conteve. Sabia muito bem que, gostasse ou não, eu era a filha do seu Capo. — O que estou tentando dizer é que Maksim Volkov gosta de mulheres como minha filha Elena. Portanto, ela é a escolha mais lógica. — Não — respondi calmamente. — A escolha mais lógica sou eu. Um murmúrio indignado percorreu o salão. — Você? — retrucou outro. — Isso não é um capricho, Alessia. — Justamente — respondi com firmeza. — Não é. Levantei-me. — Sou a filha do líder da Máfia Cardinale. Se alguém deve selar esta aliança... esse alguém sou eu. O tumulto foi imediato. Vozes se elevaram. Protestos. Indignação. — Isso é um absurdo! — Seria um insulto para Volkov! — Você está envergonhando seu pai! Então meu pai bateu com força na mesa. — Chega! O silêncio voltou, pesado e sufocante. Meu pai levantou-se lentamente. — Esta reunião está encerrada — anunciou. — Vou tirar um tempo para decidir quem será a mulher que se casará com Maksim Volkov. Quando eu tiver uma decisão definitiva, todos serão informados. Ninguém ousou contrariá-lo. Um a um, os homens deixaram o salão. Os olhares que lançavam para mim variavam entre o desprezo e o deboche. Quando o salão ficou vazio, restamos apenas meu pai e eu. — O que foi aquilo? — perguntou por fim, visivelmente irritado. — A verdade — respondi. Meu pai suspirou e passou a mão pelo rosto. — Alessia... Volkov é o homem mais poderoso da Bratva. Essa união dará uma vantagem imensa a quem a conseguir. — É claro que eu sei — respondi, usando minha melhor arma para convencê-lo: minha astúcia. — Foi justamente por isso que intervim. Não podemos permitir que Gio Marchetti consiga essa vantagem e se torne mais poderoso do que você. Se isso acontecer, mais cedo ou mais tarde ele poderá querer tomar o seu lugar... e, com os russos ao lado dele... Meu pai cerrou a mandíbula. Sabia que eu tinha razão. — Mas você... — hesitou. — Não acho que seja uma boa ideia. Maksim Volkov não vai querer você. Você não faz o tipo dele. Aquelas palavras machucaram. Mas não me surpreenderam. — Não preciso que ele me queira... no começo — respondi, aproximando-me. — Só preciso me tornar a esposa dele. Meu pai me olhou, intrigado. — Eu não vou apenas me casar com ele, paizinho — continuei. — Vou fazer com que ele se apaixone por mim. Vou conquistar a lealdade dele. A mim... e aos Cardinale, para que ele transforme você no homem mais poderoso da máfia italiana e ninguém jamais ouse tentar tirar você do seu trono. O silêncio se prolongou entre nós. Meu pai me encarava e percebi que toda aquela segurança que ele demonstrava começava a vacilar. — Confie em mim, papai — sussurrei, segurando sua mão. — Me dê esta oportunidade e eu garanto que não vou decepcioná-lo. Meu pai me observou por longos segundos e, naquele instante, eu soube que havia vencido. Porque eu não seria apenas a moeda de troca que eles usariam para selar aquela aliança de poder. Eu seria a rainha que viraria o tabuleiro dos Cardinale e dos Volkov.~MAKSIM~O jardim estava calmo, mas minha cabeça não. Eu caminhava ao lado de Artem revisando cada ponto de segurança, cada troca de turno dos homens, cada detalhe que pudesse se transformar em uma brecha se não fosse vigiado o suficiente.Ia dando ordens enquanto avançávamos, sem diminuir o passo, sem deixar espaço para erros, porque, numa situação como a que estava se formando, qualquer descuido custava caro. Meus homens respondiam rapidamente, assentiam, se moviam, e tudo seguia o curso que eu determinava.Então, minha atenção se desviou.Não por distração.Por irritação.Virei levemente a cabeça e as vi.Mila e Alessia estavam na área da piscina, recostadas com uma tranquilidade que não combinava em nada com o momento, conversando e rindo como se fossem amigas de toda a vida, como se não existisse diferença alguma entre elas, nem qualquer motivo para manter distância.Semicerrei os olhos, sentindo algo se tensionar dentro de mim, um incômodo que não tinha a ver com o que diziam, m
~MAKSIM~Eu ainda estava no escritório com Artem. Irina e os Petrov já haviam ficado para trás e agora estávamos revisando números, rotas, nomes e movimentações, tentando manter minha cabeça onde ela deveria estar: no trabalho, naquilo que eu podia controlar, naquilo que não dependia de ninguém além de mim. Era a única coisa que mantinha a ordem em meio ao caos que começava a se formar ao meu redor.As batidas na porta vieram de repente, sem aviso, seguidas pela voz de Mila do outro lado.— Maksim! Para de trabalhar como um velho rabugento e vem tomar café da manhã, porque eu estou morrendo de fome!Fechei os olhos por um segundo, soltando o ar pelo nariz, mas o incômodo não foi a única coisa que apareceu. Um sorriso discreto, quase automático, puxou o canto dos meus lábios. Porque, embora Mila tivesse vinte e um anos, naquele momento soava exatamente como quando tinha cinco e corria pela casa exigindo minha atenção, enquanto nossos pais ainda estavam vivos e tudo era... diferente. Ma
~MAKSIM~Ainda eram apenas sete da manhã, mas eu já precisava de uma boa dose de vodca para tirar o gosto amargo que estava preso na minha garganta por causa de toda a merda que acontecia ao meu redor. Servi uma dose em um copo e a levei comigo até a mesa de trabalho.O couro da cadeira rangeu sob meu peso quando me sentei e me acomodei. Tomei um gole da vodca e deixei o copo sobre a mesa antes de pegar uma pasta e começar a revisar a lista das cargas que haviam chegado na última semana.Com toda a merda que eu estava enfrentando, não tinha dado atenção ao trabalho e também não queria ter que lidar com atrasos.Alguns minutos depois, alguém bateu à porta do meu escritório. Antes mesmo que ela se abrisse ou que a pessoa do outro lado dissesse qualquer coisa, eu já sabia quem era, pois anos lidando com ele me fizeram conhecer a forma como batia à minha porta.— Entre — disse sem levantar os olhos.A porta do meu escritório se abriu e se fechou com um som seco atrás de Artem. Como se se
~ALESSIA~Fechei a porta do meu quarto com mais força do que o necessário, deixando o impacto seco ecoar pelo silêncio como uma extensão da raiva que carregava dentro de mim. Dei alguns passos sem rumo, passando uma das mãos pelos cabelos, sentindo a fúria ferver sob a minha pele, quente, constante, impossível de ignorar.— Maldito stronzo... — murmurei entre os dentes.Eu ainda conseguia vê-lo diante de mim, com aquela arrogância insuportável, com aquela forma de me olhar como se eu não valesse nada, como se fosse um pedaço de merda que ele era obrigado a tolerar. Cerrei os punhos, cravando as unhas nas palmas das mãos.Ele ia se arrepender.Ia se arrepender de cada palavra, de cada insulto, de cada maldito olhar de desprezo com que tentou me fazer sentir inferior.— Vou mostrar do que sou capaz... — sussurrei, com uma calma perigosa que contrastava com o fogo que queimava dentro de mim. — E, quando eu fizer isso, você vai ter que engolir tudo.Eu não precisava dele.Não precisava da
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