Ponto de Vista: Maya
Porto do Silêncio parecia pulsar em uma frequência diferente enquanto o Leo estava em Londres. Eu mergulhei no trabalho como forma de silenciar a saudade que latejava no peito toda vez que eu entrava na nossa casa de pedra e encontrava o lado dele da cama arrumado demais, frio demais.
Passei os dias finais treinando a Aline. Ela estava se saindo bem, absorvendo a logística da pousada com uma agilidade que me acalmava. A Fátima, embora ainda resmungasse sobre a "juventude de hoje em dia", já confiava na menina para organizar o café da manhã. O Tião, por sua vez, estava orgulhoso da nova recepção. Eu estava deixando tudo em ordem, mas meu pensamento estava a milhares de quilômetros dali, atravessando o Atlântico.
O Leo me ligava sempre que o fuso permitia. Eu via o cansaço nos olhos dele através da tela, mas também via o brilho da adrenalina. Ele me mostrava a vista do Hyde Park, o cinza elegante de Londres e a loucura dos fãs na porta do hotel.
— Maya, eu queria qu