Ponto de Vista: Leonardo
Eu estava no saguão de desembarque de Heathrow há trinta minutos, mas parecia que eu esperava há uma década. Eu usava óculos escuros e uma jaqueta com o colarinho levantado, tentando passar despercebido pelos paparazzi que sempre montam guarda ali, mas minha mente estava blindada contra qualquer coisa que não fosse o portão de saída da primeira classe.
Quando eu a vi, o mundo ao redor emudeceu. A Maya vinha caminhando com aquele jeito dela — uma mistura de curiosidade e uma dignidade natural que nenhuma escola de etiqueta conseguiria ensinar. Ela parecia um raio de sol atravessando a neblina cinzenta de Londres.
Corri ao encontro dela e a tirei do chão. O abraço foi apertado, um resgate. O cheiro dela ainda tinha traços do nosso sabonete e da maresia da vila, um contraste absurdo com o ar pressurizado do aeroporto.
— Você chegou — sussurrei, escondendo o rosto no pescoço dela. — Finalmente o ar voltou pro meu pulmão.
No carro, a caminho do hotel, eu não soltei