Ponto de Vista: Leonardo
O ronco dos motores do jatinho era um som que eu já conhecia de cor, mas desta vez, ele ecoava de um jeito diferente. Enquanto a pista de pouso de Porto do Silêncio diminuía lá embaixo, transformando nossa casa de pedra em um ponto minúsculo entre o verde e o azul, senti um aperto que nenhuma turnê anterior tinha me provocado. Eu estava partindo, mas, pela primeira vez, eu tinha para onde — e para quem — voltar.
Cruzar o Atlântico sozinho no jato foi um exercício de paciência. Passei horas revisando o setlist, ajustando arranjos no tablet e encarando a poltrona vazia à minha frente. O plano era claro: eu iria na frente para lidar com a exaustão dos primeiros ensaios técnicos e a maratona de entrevistas na Europa. A Maya chegaria na semana seguinte, a tempo da grande estreia em Londres.
— Mais um café, senhor Veronese? — a comissária perguntou.
— Por favor.
Eu precisava da cafeína, mas o que eu queria mesmo era o fuso horário a meu favor para conseguir ligar pa