Ponto de Vista: MayaCaminhar até a Enseada do Farol com o Leo era um exercício de autocontrole. Ele não falava muito, mas a presença dele preenchia cada espaço vazio daquela praia. Ele tinha um jeito de andar, meio bicho acuado, meio dono do mundo, que me deixava em alerta.— Você não relaxa nem na areia, estrangeiro? — perguntei, parando perto de um coqueiro solitário. — Aqui, o máximo que pode te acontecer é um coco cair na cabeça.Leo parou e olhou para o horizonte. O vento bagunçou o cabelo dele, revelando um rosto que parecia esculpido para ser capa de qualquer coisa, mas que ele insistia em esconder.— O silêncio daqui é... barulhento, Maya. Eu esqueci como é não ter ninguém tentando adivinhar o que eu estou pensando.— E o que você está pensando agora? — provoquei, dando um passo para o lado, sentindo o calor que emanava dele mesmo com a brisa do mar.Ele me olhou de cima a baixo. Não foi um olhar vulgar, foi algo mais profundo, como se ele estivesse tentando ler as entrelinha
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