Ponto de Vista: Leonardo
O ar condicionado da sede da gravadora, no centro do Rio de Janeiro, soprava um gelo seco que parecia queimar minha pele. Era um frio artificial, estéril, que não tinha nada a ver com o frescor da maresia ou com a umidade viva da chuva que eu sentira nos últimos dias. Eu estava sentado em uma cadeira de couro que custava uma pequena fortuna, cercado por executivos que me olhavam como se eu fosse um milagre financeiro que acabara de ser resgatado de um naufrágio. Naquele