Ponto de Vista: Leonardo
Subir as escadas da pousada ao lado da Maya foi a prova de resistência mais difícil da minha vida. Cada degrau de madeira que rangia sob nossos pés parecia ecoar a tensão elétrica que nos prendia, um ritmo cardíaco compartilhado que denunciava o que nossas bocas ainda não tinham coragem de admitir. Eu sentia o cheiro dela — aquele rastro de lavanda misturado à maresia e à pele aquecida pelo sol — e meu corpo reagia como se eu estivesse em chamas.
Minhas mãos coçavam. O instinto era bruto, visceral: eu queria puxá-la pela cintura, sentir o impacto do corpo dela contra o meu, prensá-la contra a parede daquele corredor estreito e acabar com aquela distância torturante em um único movimento. Eu queria provar a ela que o tempo longe não tinha apagado nada; tinha apenas aguçado a fome. Mas eu a ouvi no jardim. Eu vi a fragilidade e a força em seus olhos. Eu sabia que a confiança era um cristal que eu tinha trincado com meus erros passados, e eu não podia simplesment