Ponto de Vista: Leonardo
Minhas mãos tremiam, e não era de medo. Era a voltagem. A adrenalina de estar prestes a encarar cinquenta mil pessoas é uma droga pesada, mas o que eu sentia ali, dentro daquele camarim, era algo muito mais potente. Eu olhei para a Maya — a minha Maya, com aquele olhar de quem ainda tentava entender o tamanho do mundo em que eu vivia — e soube que não conseguiria dar um passo em direção ao palco sem tirar o "gás" dela.
Eu precisava da terra dela para suportar o céu que estava prestes a cair sobre mim.
Quando a porta se fechou e eu a prensei contra aquele mármore frio, o contraste foi o estopim. O mármore era a realidade lá fora, mas o calor da pele dela era o meu único refúgio. Eu a beijei com uma fome que beirava o desespero. Minhas mãos, já enfaixadas para o show, buscavam o toque dela com uma urgência que ignorava o cronograma que o meu empresário gritava do outro lado da porta.
Eu a suspendi, sentindo o encaixe perfeito das pernas dela na minha cintura. Al