Amélia suspirou, tocando o braço dele por um instante.
— Tome cuidado. Ele está machucado de um jeito perigoso.
Vitório observou-a voltar para o salão, e então seguiu até o lago.
Ticiano estava sentado em um banco alto de couro, próximo à água, com uma garrafa de uísque quase pela metade sobre a mesa redonda pequena. Bebia como se fosse água, o copo enchendo e esvaziando num ritmo que preocupava.
Os olhos dele estavam fixos no lago, como se ali, naquela superfície escura e refletora, estivessem todas as respostas que ele se recusava a encarar.
Vitório sentou-se ao lado dele sem dizer nada.
Por longos minutos, nenhum dos dois falou. Apenas o som distante da música, o murmúrio da festa, as risadas das crianças correndo ao fundo, misturavam-se ao som suave da água em movimento. Era um silêncio confortável e doloroso ao mesmo tempo, o tipo de silêncio que só existe entre homens que se conhecem profundamente.
Vitório observou o amigo.
Luigi e Bianca haviam viajado com Mariane para uma lua