Vitório
Vitório sempre acreditou que despedidas carregavam um tipo específico de silêncio que se perpetuava com a distância.
Não aquele vazio constrangedor, mas um silêncio denso, quase reverente, que se infiltrava mesmo nos ambientes mais barulhentos. E, naquela noite, enquanto o clube de golfe que pertencia a família, fervilhava de música, risos e vozes sobrepostas, ele sentia exatamente isso; uma pausa invisível entre o que foi e o que jamais seria igual.
A decisão de organizar uma festa de despedida para Ticiano não foi simples. Ícaro e Alberto concordaram imediatamente, pois não queriam deixá-lo ir embora como se sua presença tivesse sido apenas mais uma passagem discreta pela vida deles.
Ticiano era família. Era um irmão, não de sangue, mas que a vida empurrou para dentro da casa Darius e que nunca mais saiu.
O clube que era elegante, um dos primeiros projetos de Amélia na cidade, ele também tinha uma atmosfera familiar e acolhedora. Um espaço amplo, com paredes de vidro que se