Mundo de ficçãoIniciar sessãoRespirei fundo.
Com certeza ele vai me matar. Arregalei os olhos com o próprio pensamento, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Paolo invadiu meu espaço e entrou na minha casa sem esperar permissão. Os dois homens ficaram do lado de fora. Já ele… Parecia dono do lugar. Fechei a porta lentamente enquanto observava sua postura fria caminhar pela sala simples da minha casa. Os olhos escuros dele recaíram sobre mim dos pés à cabeça. Meu rosto queimou imediatamente. Apertei ainda mais o roupão contra o corpo, tentando esconder a vergonha. — Se veio pelo que aconteceu… Ele me interrompeu antes mesmo que eu terminasse. — Você salvou a vida do meu avô. E eu quero recompensar você por isso. Pisquei algumas vezes, confusa. Não era aquilo que eu esperava ouvir. — Meu avô quase morreu hoje — continuou ele friamente. — E você foi a única pessoa que pulou naquela água para ajudá-lo. Engoli seco. — Como você sabe disso? O olhar dele permaneceu fixo no meu. Frio. Controlado. Perigoso. — Isso não importa. A resposta curta me deixou ainda mais nervosa. Passei a mão úmida pelos cabelos presos na toalha antes de falar baixo: — Posso pelo menos me trocar para receber você direito? Achei que ele fosse aceitar. Mas Paolo apenas respondeu sem qualquer expressão: — Não. Fiquei sem reação. Mesmo assim, estava prestes a correr até o quarto rapidinho quando ele simplesmente pegou uma pequena maleta preta e a jogou sobre a mesinha de centro da sala. O impacto me fez dar um pequeno pulo de susto. As contas espalhadas e os livros sobre a mesa se moveram imediatamente. Sem dizer nada, Paolo abriu a maleta. E meu coração quase parou. Dinheiro. Muito dinheiro. Notas organizadas cuidadosamente preenchiam a mala inteira. Arregalei os olhos em choque enquanto encarava aquela quantia absurda parada bem na minha frente. Encarei o dinheiro sem saber o que dizer. Paolo continuou falando como se cinquenta mil euros não fossem absolutamente nada. — Soube que perdeu o emprego… e que precisa de muito dinheiro. Ele fechou a maleta devagar. — Cinquenta mil euros está bom para você? Então se sentou no sofá da minha pequena sala, esperando alguma resposta. Mas como eu poderia aceitar tanto dinheiro assim? Minha avó precisava daquele tratamento. Aquele dinheiro literalmente poderia salvá-la. Mesmo assim… Eu não conseguia aceitar a ideia de pegar tudo aquilo como se tivesse ajudado Giácomo por interesse. Respirei fundo antes de responder. — Com todo respeito, senhor… eu não fiz aquilo porque queria algo em troca. Eu me importo com seu avô. — engoli seco. — Eu só queria meu emprego de volta. Isso é muito dinheiro. Paolo ergueu uma das sobrancelhas lentamente. — Se não aceitar agora, não terá outra oportunidade como essa de novo. Abaixei o olhar. Eu estava prestes a dizer novamente que não era justo ganhar tanto dinheiro apenas por salvar uma vida… Quando ouvi tiros do lado de fora. Meu corpo inteiro travou. Corri imediatamente até a porta para ver o que estava acontecendo. E então vi. Os dois homens armados que acompanhavam Paolo tinham acabado de atirar contra um morador de rua. — Meu Deus! Gritei assustada. Paolo se aproximou logo atrás de mim para observar a cena. Senti o corpo dele perto demais das minhas costas. Duro. Quente. Intimidador. Engoli seco com a aproximação. Sem pensar, corri até o homem caído no chão. Ele ainda estava vivo. Mas os tiros no braço e na perna faziam sangue escorrer rapidamente pela rua. Se não fosse levado para um hospital… morreria. Olhei imediatamente para Paolo parado perto da entrada da minha casa. Ele nem sequer se moveu. Permaneceu imóvel. Frio. Como se aquilo não fosse nada. Voltei meu olhar cheio de raiva para os homens armados. — Vocês são loucos?! No mesmo instante, os dois apontaram as armas para mim. As pessoas que passavam pela rua começaram a correr desesperadas. Meu corpo perdeu a força e acabei caindo sentada no chão com o susto. Meu coração disparou. Fiquei ofegante de medo. Então ouvi o som dos gatilhos sendo preparados. Tudo pareceu acontecer em câmera lenta. O barulho metálico. As armas apontadas para mim. O terror subindo pela minha garganta. E, quando achei que eles realmente atirariam… — NÃO TOQUEM NELA! Levantei o olhar imediatamente para Paolo. Ele descia lentamente os poucos degraus da frente da minha casa até parar bem na minha frente. Frio. Controlado. Sem demonstrar emoção nenhuma. Parecia um robô. Me levantei assustada e imediatamente olhei para Paolo. — Ele precisa ir para um hospital! Minha voz saiu desesperada. Mas Paolo apenas respondeu friamente: — O que acontece com um morador de rua não é problema meu. Arregalei os olhos sem acreditar. — Por favor… Comecei a implorar enquanto tentava pressionar o ferimento do homem para estancar o sangue. — Ele vai morrer! Os homens armados se entreolharam como se estivessem chocados pelo simples fato de eu estar enfrentando Paolo Russo daquele jeito. Mas que mal faria chamar uma ambulância? Ou levá-lo para um hospital? Paolo não respondeu. Como se nada tivesse acontecido, virou as costas e caminhou em direção ao carro preto parado na frente da minha casa. Os outros homens seguiram para o segundo veículo. E eu fiquei ali. Caída no chão. Tentando salvar um desconhecido enquanto eles simplesmente iam embora. Os gemidos de dor do homem me deixavam ainda mais aflita. Ele estava perdendo muito sangue. Muito. — Socorro! Alguém me ajuda! Comecei a gritar desesperadamente no meio da rua. Foi então que percebi minha situação. Eu estava usando apenas um roupão. Sem absolutamente nada por baixo. Meu Deus. Uma mulher finalmente apareceu e chamou uma ambulância. Ela também se ofereceu para acompanhar o homem até o hospital, já que eu claramente não tinha condições nem roupas para sair daquele jeito. Agradeci quase chorando. Mas quando a polícia apareceu… Eu entrei em pânico. — O que aconteceu aqui? Olhei para os policiais por alguns segundos antes de mentir: — Foram assaltantes. Espero até agora que eles tenham acreditado nisso. Porque quem acreditaria que um bilionário tinha feito aquilo? E mesmo que acreditassem… Paolo Russo provavelmente compraria até a polícia com o dinheiro que tinha. Assim que entrei em casa, meus olhos recaíram sobre a maleta de dinheiro ainda aberta na mesa de centro. Meu estômago embrulhou. Agora eu não queria mais nenhum centavo vindo daquele homem. Dinheiro de assassino. Meu Deus… Será que Giácomo também era assim? Não fazia sentido. Ele era tão gentil. Tão carinhoso comigo. Como podia fazer parte de algo tão cruel? Não consegui dormir naquela noite. Fiquei me revirando na cama, perturbada pela imagem do homem caído no chão, sangrando enquanto Paolo simplesmente ia embora sem sequer olhar para trás. Em algum momento da madrugada, desisti de tentar dormir e me levantei da cama. Fui até a cozinha beber água. Mas então percebi um carro parado em frente à minha casa. Meu coração acelerou imediatamente. Quem poderia ser agora? A polícia? Peguei uma tigela da cozinha para me defender. O que era ridículo. Porque, se fosse algum homem de Paolo querendo me matar, aquilo não me salvaria de absolutamente nada. Mesmo assim, caminhei devagar até a porta usando meu pijama largo e amassado. Respirei fundo antes de abrir. E fiquei em choque. — Bianco…? Meu amigo de infância estava parado na minha frente. Ele usava uma expressão estranha. Triste. Pesada. Antes mesmo que eu pudesse perguntar qualquer coisa, Bianco caminhou até mim e me abraçou forte. Demorei alguns segundos para retribuir, completamente confusa. Fazia dias que eu não o via. E agora ele aparecia daquele jeito misterioso no meio da madrugada. — O que aconteceu? — perguntei preocupada. Bianco me soltou devagar. — Eu estava no hospital acompanhando um amigo que passou mal… e acabei vendo sua avó. Meu coração apertou imediatamente. Achei que ele estivesse abalado por descobrir que minha avó estava internada em um hospital tão caro. Mas então ele levantou os olhos para mim. E falou com uma delicadeza que me assustou ainda mais. — Pelo que ouvi do médico… é questão de horas para sua avó morrer sem o tratamento. Meu mundo parou. O ar sumiu dos meus pulmões. Uma vontade absurda de vomitar tomou conta de mim ao mesmo tempo em que minhas pernas enfraqueceram. Bianco me segurou antes que eu caísse. — Ei… calma… Mas como eu poderia me acalmar? Minha avó estava morrendo. Morrendo. Fechei os olhos sentindo o desespero esmagar meu peito. Porque agora eu só tinha duas escolhas. Pegar o dinheiro daquela maleta e pagar o melhor tratamento possível. Ou… Assistir minha avó morrer.






