Início / Máfia / A ESPOSA CONTRATADA DA MÁFIA / ♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 4 ♛
♛ 𝑪𝒂𝒑𝒊́𝒕𝒖𝒍𝒐 4 ♛

Tentei reunir o pouco de força que ainda me restava e voltei para fora de casa.

Os vizinhos continuavam espalhados pela rua, comentando sobre os roubos enquanto a polícia fazia perguntas.

Segundo eles, os caras pareciam amadores.

Tinham invadido várias casas da região pegando apenas as coisas mais fáceis de vender.

Celulares.

Computadores.

Dinheiro.

Meu dinheiro.

Eu mal conseguia abrir a boca para falar.

Minha cabeça girava sem parar.

Os policiais disseram que tentariam encontrar os responsáveis, mas bastava olhar ao redor para perceber a realidade.

Aquilo era um bairro pobre.

Nem câmeras direito existiam naquela região.

Como eles encontrariam aqueles infelizes?

Parecia que eu ia explodir a qualquer momento.

A pressão dentro de mim estava insuportável.

Minha avó entre a vida e a morte.

O dinheiro desaparecido.

O medo constante.

E agora aquilo.

Mesmo completamente destruída emocionalmente, ainda precisei ir até a delegacia prestar depoimento.

Passei horas respondendo perguntas enquanto tentava não desabar na frente dos policiais.

Mas a verdade é que eu já estava no meu limite.

Saí da delegacia percebendo que não havia mais nada a fazer.

Eu não podia esperar dias — ou semanas — até a polícia encontrar aqueles homens.

Minha avó não tinha esse tempo.

E, pela primeira vez, a realidade realmente me atingiu.

Eu talvez precisasse me despedir dela.

Caminhei sem rumo por alguns minutos até meu celular tocar.

Era Bianco.

Ele já tinha descoberto sobre o assalto e apareceu na minha casa pouco tempo depois para tentar me confortar.

Assim que o vi, senti toda a pressão que eu estava segurando começar a escapar.

— Eu estou perdida…

Minha voz saiu falha.

— Parece que tenho vontade de chorar o tempo inteiro. Minha avó está… está se desfazendo diante de mim.

Bianco me olhou com tristeza genuína.

— Eu queria poder ajudar mais, Nati… de verdade. Mas eu não tenho esse dinheiro.

Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Tudo o que eu ganho no trabalho vai para o financiamento do meu apartamento.

Assenti devagar.

Eu sabia que ele estava sendo sincero.

Depois de alguns segundos em silêncio, aceitei pelo menos seu abraço.

Precisava sentir que ainda existia alguém ali comigo.

Bianco me abraçou forte.

E por alguns segundos eu apenas fechei os olhos tentando não desabar completamente.

Mas então…

Quando comecei a me afastar lentamente para ajeitar o cabelo grudado no rosto por causa das lágrimas…

Ele me puxou para um beijo.

Meu corpo travou em choque.

Eu não esperava aquilo.

Não naquele momento.

Não agora.

E alguma coisa dentro de mim explodiu.

Empurrei Bianco imediatamente.

— Vai embora!

Minha voz saiu alta e quebrada ao mesmo tempo.

— Some da minha frente!

Ele arregalou os olhos, claramente arrependido.

— Nati, me desculpa… eu—

— SOME!

Bianco começou a gaguejar um pedido de desculpas antes de finalmente ir embora.

E eu fiquei ali parada.

Tremendo de raiva.

De tristeza.

De cansaço.

Como ele pôde me beijar enquanto meu mundo inteiro estava desmoronando diante dos meus olhos?

Quando Bianco foi embora, me sentei no chão da sala.

Fiquei encolhida, abraçando as próprias pernas enquanto me perdia nos meus pensamentos.

Como eu deixei isso acontecer?

Como?

Eu ainda não conseguia acreditar que tinha perdido justamente a única chance de salvar a vida da minha avó.

Parecia irreal.

Como um pesadelo do qual eu não conseguia acordar.

Passei as mãos pelo rosto sentindo o desespero esmagar meu peito.

Eu realmente estava perdida.

Mesmo diante de tudo aquilo, me obriguei a levantar.

Tomei um banho demorado tentando tirar a aparência de choro do meu rosto antes de voltar para o hospital.

Durante o trajeto de ônibus, fiquei pesquisando desesperadamente por trabalhos.

Serviço doméstico.

Cuidadora particular.

Faxina.

Qualquer coisa urgente servia.

Em algum momento, cheguei até a cogitar trabalhar em boates como garota de programa.

E pensar nisso fez meu estômago embrulhar imediatamente.

Porque aquela seria minha última opção.

Meu último limite.

Quando finalmente cheguei ao hospital, fui direto para o quarto da minha avó.

Mas, dessa vez, não consegui conversar com ela.

Não consegui sorrir.

Não consegui fingir esperança.

Apenas sentei ao lado da cama e permaneci em silêncio segurando sua mão fria entre as minhas.

Eu também não conseguia comer absolutamente nada.

Parecia que meu corpo inteiro tinha desligado.

Depois de algum tempo, o médico me chamou para conversar.

E, pela primeira vez, contei a verdade.

Expliquei sobre o dinheiro roubado.

Sobre o tratamento.

Sobre o desespero.

Tentei fazer com que ele sentisse pena de mim.

Que me ajudasse de alguma forma.

Mas ele apenas me encarou friamente antes de falar algo que destruiu o pouco que ainda restava dentro de mim.

— Talvez seja melhor desligar os aparelhos.

Meu coração parou.

Olhei para ele sem acreditar.

Minha avó ainda respirava.

Ainda estava ali.

E mesmo assim ele falava sobre desistir dela como se estivesse comentando sobre algo banal.

Eu questionei o médico imediatamente.

Perguntei como ele podia sugerir uma coisa dessas enquanto minha avó ainda estava viva.

Ele tentou explicar calmamente que talvez fosse melhor do que prolongar o sofrimento dela.

Mas ainda existia vida ali.

Ela ainda respirava.

Ainda estava lutando.

E enquanto ela lutasse… eu também lutaria.

Eu não podia simplesmente desistir da minha avó.

Não podia abandonar a mulher que dedicou a vida inteira para cuidar de mim.

Respirei fundo tentando controlar as lágrimas.

Então, naquele instante, tomei uma decisão.

Eu cuidei muito bem do senhor Giácomo.

E sabia que os outros idosos também gostavam de mim.

Eu precisava recuperar meu emprego.

Precisava.

A diretora tinha que entender que eu era uma das melhores cuidadoras daquele lugar.

E, sinceramente?

Eu tinha quase certeza de que Giácomo tentou me defender de alguma forma depois do acidente.

Mas outra certeza martelava na minha cabeça.

Rico ou não…

Não era a voz de Giácomo que intimidava aquele lugar.

Era o sobrenome do neto dele.

Paolo Russo.

Olhei novamente para o médico antes de responder com firmeza:

— Não.

Ele me encarou em silêncio.

— Eu não vou desistir da minha avó.

Saí daquela sala com algo que não sentia fazia horas.

Esperança.

Percebi que tinha desistido fácil demais do meu trabalho.

Eu poderia até denunciar várias coisas erradas que já vi acontecendo naquele lar para idosos.

Mas eu não queria destruir o lugar.

Só queria continuar trabalhando ali.

Continuar cuidando de quem precisava de mim.

Peguei um ônibus e fui direto para o lar.

Já estava quase anoitecendo quando cheguei.

Camila estava indo embora no momento em que me viu entrar pelo portão.

Ela praticamente paralisou.

— Nati…

Mesmo surpresa, ela acabou me deixando entrar.

Explicou rapidamente que a diretora estava ocupada com uma pessoa importante.

Mas, sinceramente?

Naquele momento eu estava pouco me fodendo para isso.

Passei direto por ela e caminhei pelo corredor decidida a enfrentar aquela mulher.

A diretora odiava escândalos.

E com certeza não gostaria da ideia de ser processada por maus-tratos ou negligência.

Meu coração batia forte enquanto eu me aproximava da sala.

Mas então…

Parei imediatamente.

Quatro homens de terno preto estavam posicionados na porta.

Armados.

Meu corpo gelou.

E antes que eu pudesse reagir, a porta da sala se abriu.

Quase perdi o ar quando vi quem saiu de lá.

O próprio, Paolo Russo.

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